Avançar para o conteúdo principal

🍽️ À Mesa

 Porque o que se come faz parte de como se pedala — e vice-versa

Há uma verdade que qualquer ciclista conhece e que nenhum nutricionista consegue explicar completamente: a comida sabe melhor depois de ter pedalado. Não é fisiologia — ou não é só isso. É qualquer coisa que tem a ver com o mérito, com a chegada, com o facto de ter ganho o direito ao que está no prato.

Esta secção reúne os artigos de gastronomia do CicloMaluco — e são mais do que se poderia esperar num blog sobre bicicletas. Há bifanas, é claro: as de Vendas Novas, que justificaram uma volta de 167 km, e as de Benavente, que justificaram uma saída domingueira. Há febras, há Barretes de Salvaterra, há a Sopa da Pedra de Almeirim que esperava no final do Audace Alpiagra.

Mas há também artigos de pesquisa sobre ingredientes que são, eles próprios, parte da identidade portuguesa: a sardinha e a arte xávega, o bacalhau e as frotas dos Descobrimentos, o chícharo da Serra de Sicó que a minha geração quase perdeu, as origens do Bolo Rei que os Romanos teriam reconhecido.

E há restaurantes — a Bica do Sapato, o ZamBeZe, o Faz Figura, o Castella do Paulo — visitados não como crítico gastronómico mas como alguém que aprecia comer bem e ocasionalmente consegue fazê-lo. O elo com o ciclismo é sempre o mesmo: a mesa é o destino; a bicicleta, a melhor forma de a merecer.

Para não ficarem a pensar que só como bifanas: também como bacalhau, sardinha, bolo rei, chícharo, castella japonesa, Arroz de Cabrito com Castanhas, e o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Em São Paulo acharam-no 'demasiado doce'. Ao que o mundo chegou.

 

01.  As Origens do Bolo Rei — Três Estórias sobre um Bolo com Coroa

A simbologia (ouro/mirra/incenso), a fava das Saturnais romanas, e como chegou à Confeitaria Nacional de Lisboa depois de 1870.


02.  O Bacalhau — O Fiel Amigo dos Portugueses desde o Século XIV

700 anos de história: do acordo de pesca com Eduardo II à Invencível Armada que destruiu a frota, aos Dóris do Atlântico Norte.


03.  A Menina Pescadinha — Como a Namíbia Conquistou as Mesas Portuguesas

A corrente de Benguela, a Merluccius Capensis, e a campanha animada de Mário Neves que ensinou Portugal a comer peixe congelado.


04.  Chícharo — A 'Carne dos Pobres' que Merecia Ser a Carne dos Ricos

Descoberto por acidente numa pesquisa de bicicletas antigas. O legume da infância reencontrado na Serra de Sicó-Alvaiázere.


05.  São Martinho — O Santo Soldado que Deu Metade do Manto ao Mendigo

A lenda do manto partido ao meio, o Verão de São Martinho, o Magusto, a jeropiga e a água-pé. Um artigo para o 11 de Novembro.


06.  A Sardinha — Rainha das Grelhas e Sra. das Lotas Portuguesas

A nortada, o upwelling, o Ómega 3 (EPA e DHA) e a arte xávega da Nazaré. A ciência por detrás das sardinhas de Verão.


07.  Castella do Paulo — Quando Portugal e o Japão se Encontram na Rua da Alfândega

Os portugueses levaram o pão-de-ló ao Japão no séc. XVI. O Paulo Duarte devolveu-o a Lisboa, na Rua da Alfândega.


08.  'Fêveras' ou 'Febras'? — A Questão Gramatical e o Ritual da Grelha

Ambas corretas (Ciberdúvidas dixit). Mas o que importa: 'Venham almoçar no domingo. Grelha-se umas febras.' Um ritual nacional.


09.  Bifanas de Vendas Novas — O Prólogo de uma Demanda

Toda a grande demanda começa por um prólogo. Este é o início da história que justificou 167 km de bicicleta.


10.  Volta das Bifanas a Benavente — O Regresso à Bicla e ao Café Jardim

Três semanas sem pedalar. O regresso só podia ser celebrado com a malta do Pirata e uma bifana no Café Jardim.


11.  Peixe em Lisboa 2012 — Estágio Gastronómico Antes da Grande Pedalada

'Em estágio para o Sobral-Fátima de 15 de Abril no Peixe em Lisboa.' Assim se faz o carbo-loading de alta qualidade.


12.  Bica do Sapato na Restaurant Week — A Arte de Afogar as Mágoas

Ressacado de falta de bicicleta, a terapia disponível era um bom almoço na Bica do Sapato com o Tejo à frente.


13.  ZamBeZe — Onde as Beiras Encontram Moçambique com Vista para Lisboa

Para não ficarem a pensar que só como bifanas: o ZamBeZe junta a cozinha das Beiras à moçambicana. E a vista é das melhores da cidade.


14.  Faz Figura — Vinho Próprio, Cozinha Clássica e o Pátio do Paraíso

Um veterano da restauração lisboeta, instalado num palacete da Alfama, com vinho da sua própria quinta alentejana.


 

Mensagens populares deste blogue

José Bento Pessoa

Quando ouvi falar a primeira vez de José Bento Pessoa foi provavelmente como a maioria das pessoas: esse era o nome do estádio situado na Figueira da Foz onde joga a Naval 1º de Maio e que foi inaugurado em 1953. Mas a beleza de andar a "chafurdar nos recantos da história" (ver Primeira Prova de Ciclismo em Portugal? ) é que tropeçamos em novelos de estórias que nos levam a novos caminhos e a descobertas interessantes: assim foi o caso com a descoberta de José Bento Pessoa e das suas façanhas no ciclismo. José Bento Pessoa nasceu a 7 de Março de 1874, na da Figueira da Foz, cidade onde passou a sua infância, fez a instrução primária e depois completou os seus estudos com aulas particulares. Acabados os estudos foi trabalhar para a loja de seu pai - uma sapataria (tal como Onofre Tavares mais tarde...). Mas o jovem Bento Pessoa não estava talhado para a venda de sapatos, e cedo se envolve na prática desportiva: natação remo, atletismo, e até foi guarda-redes de fute...

Museu do Ciclismo - Caldas da Rainha

No passado fim-de-semana tive o prazer de visitar o Museu do Ciclismo:   o artigo do número quatro da revista B - Cultura da Bicicleta   tinha-me despertado a atenção, e assim resolvi ocupar uma tarde domingueira e chuvosa a visitar in loco o museu que está situado na Rua de Camões nº 57, junto ao Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha. O museu foi inaugurado em 14 de Dezembro de 1999. Calhou também que tive a sorte de poder conversar um bom bocado com Mário Lino, que está desde à muitos anos ligado à história e dinamização do ciclismo nas Caldas da Rainha e que doou grande parte do espólio actual do Museu. [CicloMaluco com Mário Lino e Sónia Fernandes do Museu do Ciclismo] Este senhor, actualmente com 65 anos, transpira histórias sobre tudo o que gira à volta do ciclismo. Foi ele que me chamou a atenção para algumas preciosidades presentes no museu, como o primeiro selo emitido no mundo com uma bicicleta desportiva, ou um tandem onde - ao contrário do habi...

O que comer ao pequeno-almoço antes de uma prova de ciclismo?

Continuando a minha demanda pessoal para melhor "resistir" às provas de ciclismo tipo Brevet Randonneurs e Audaces, voltei à "desktop research" (isto é, à pesquisa na Internet...) para descobrir o que se deve comer ao pequeno-almoço nos dias dos eventos (isto porque essas provas começam todas de manhã bem cedo). Começando pela parte de "quando" tomar o pequeno-almoço: deve-se terminar o pequeno-almoço 2 a 3 horas antes da prova começar .  Isto é absolutamente essencial para "atestar" os níveis de glicogênio muscular e glicose no sangue para a actividade fisica que se vai fazer .   Ao comer 2 a 3 horas antes do evento , a actividade fisica será alimentada com os nutrientes fornecidos durante essa refeição e, portanto, consegue-se "trabalhar" por algum tempo antes de o corpo ser forçado a usar a energia armazenada . Desta forma atrasa-se o aparecimento da fadiga e melhora-se o desempenho.   Por outro lado , se ...