O CicloMaluco, a envelhescência e a vida que acontece enquanto se pedala
Nasci em Moçambique e vim para Portugal nos anos do 25 de Abril, como tantos outros. Cresci entre Casével e Santarém, estudei em Lisboa, e passei os últimos trinta anos a trabalhar em projectos de tecnologia e engenharia de sistemas — em Portugal e nalgumas paragens pelo mundo, de São Paulo a Macau, de Bissau a países sem nome fácil de pronunciar.
A bicicleta entrou na minha vida em dois momentos separados. O primeiro, na infância: uma pasteleira emprestada, uma Peugeot herdada de tio em tio, as estradas de terra de Casével. O segundo, pelos quarenta anos, quando a tal 'envelhescência' — o período entre os quarenta e os sessenta em que as pessoas compram bicicletas, correm maratonas, ou fazem as duas coisas — me apanhou desprevenido.
Este blog começou como um diário de bordo desse regresso. Rapidamente se transformou em algo maior: crónicas de provas que quase não acabei, pesquisas históricas sobre ciclistas que merecem ser mais conhecidos, opiniões não solicitadas sobre bifanas, e ocasionalmente um relato de viagem que tem pouca bicicleta e muita humanidade.
Sou Engenheiro Informático de formação, pai de família por decisão, e ciclomaluco por necessidade. Se tivesse de escolher uma frase para definir o blog, seria a do cabeçalho: 'Life is hard and then you die. Keep Calm and Bike On.'
Bem-vindos ao CicloMaluco.
