O Bacalhau — A Faina Maior, 700 Anos de Portugal no Atlântico
Norte
Data: 3
de Dezembro de 2012
Continuando a senda da investigação sobre as principais proteinas consumidas em Portugal - depois da Sardinha - hoje venho aqui falar sobre o "Bacalhau".
De acordo com a Wikipedia, "Bacalhau é o nome comum de várias espécies de peixes classificadas em vários géneros, em particular no gênero Gadus, pertencente à família Gadidae, sendo o dito "original", ou "verdadeiro", o bacalhau encontrado no mar Atlântico, chamado Gadus Morhua, que é uma das cerca de 60 espécies da mesma família de peixes migratórios. O Gadus vive nos mares fríos do norte, sendo geralmente de tamanho pequeno, embora alguns exemplares possam chegar a pesar 100 kg e medir pouco menos de dois metros. Alimenta-se de outros peixes menores, como o arenque."
Dentre as várias espécies de peixes comercializados como bacalhau destacam-se duas: a Gadus morhua, que habita as águas frias do Oceano Atlântico, nas regiões do Canadá e do Mar da Noruega e a Gadus macrocephalus que habita o Oceano Pacífico na região do Alaska.
Outros peixes salgados e secos também são comercializados com o nome genérico de bacalhau como o Gadus virens ou Pollachius virens (escamudo), o Molva molva (Ling) e Brosmius brosme (Zarbo). Já em Moçambique e na Guiné-Bissau, chama-se bacalhau ao Rachycentron canadum (Beijupirá), uma espécie de peixe da ordem Perciformes. "
Assim, o Cod Gadus Morhua é o bacalhau que os portugueses conhecem. É pescado no Atlântico Norte e tem coloração palha e uniforme quando é salgado e seco.
🗂️ A Faina Maior — 700 Anos de História
🗂️ A Faina Maior — 700 Anos de História
De acordo com a Wikipedia, "Bacalhau é o nome comum de várias espécies de peixes classificadas em vários géneros, em particular no gênero Gadus, pertencente à família Gadidae, sendo o dito "original", ou "verdadeiro", o bacalhau encontrado no mar Atlântico, chamado Gadus Morhua, que é uma das cerca de 60 espécies da mesma família de peixes migratórios. O Gadus vive nos mares fríos do norte, sendo geralmente de tamanho pequeno, embora alguns exemplares possam chegar a pesar 100 kg e medir pouco menos de dois metros. Alimenta-se de outros peixes menores, como o arenque."
Dentre as várias espécies de peixes comercializados como bacalhau destacam-se duas: a Gadus morhua, que habita as águas frias do Oceano Atlântico, nas regiões do Canadá e do Mar da Noruega e a Gadus macrocephalus que habita o Oceano Pacífico na região do Alaska.
Outros peixes salgados e secos também são comercializados com o nome genérico de bacalhau como o Gadus virens ou Pollachius virens (escamudo), o Molva molva (Ling) e Brosmius brosme (Zarbo). Já em Moçambique e na Guiné-Bissau, chama-se bacalhau ao Rachycentron canadum (Beijupirá), uma espécie de peixe da ordem Perciformes. "
Assim, o Cod Gadus Morhua é o bacalhau que os portugueses conhecem. É pescado no Atlântico Norte e tem coloração palha e uniforme quando é salgado e seco.
🗂️ A Faina Maior — 700 Anos de História
Continuando a citar a Wikipedia, desta vez o artigo sobre a "Pesca do Bacalhau": "A história da pesca do bacalhau pelos portugueses (muitas vezes referida por a Faina Maior) aparece pela primeira vez referenciada em 1353, quando D. Pedro I e Edward II de Inglaterra estabelecem um acordo de pesca para pescadores de Lisboa e do Porto poderem pescar o bacalhau nas costas da Inglaterra por 50 anos. A necessidade de estabelecer um acordo indicia que esta actividade já se realizava em anos anteriores, e em tal quantidade, que justificasse a necessidade enquadrar esta actividade nas relações entre os dois reinos.
No século XV, apesar do fim da colonização da Gronelândia e das viagens mais ou menos regulares entre o continente europeu e a ilha, a sua localização não foi esquecida, tal como não foi a informação da localização dos habitats do bacalhau, que havia chegado até aos portugueses.
A partir do século XV já nos surgem vários documentos sobre a pesca dos portugueses no Atlântico norte.
Em 1504 já havia colónias de pescadores de Viana do Minho e de Aveiro na Terra Nova.
Durante o reino de D. Manuel I era em Aveiro que eram armados mais barcos para a pesca longínqua, tal como viria a ser mais tarde no século XX. Segundo a “Corografia Portuguesa”, seriam cerca de 60 naus só para a pesca na Terra Nova, numero que subiu para aproximadamente 150 em 1550.
Até ao reinado de D. Sebastião a actividade aumenta, levando à publicação de um “Regimento para as frotas da pesca do bacalhau”, pelo qual estas frotas eram reorganizadas sob um comando unificado.
Após a morte de D. Sebastião, e a consequente ocupação Filipina, com a chegada ao trono de Filipe II de Espanha, I de Portugal, tiveram repercussões graves na frota bacalhoeira portuguesa. Entre as acções dos Filipes que prejudicaram a frota portuguesa, conta-se a requisição de todas as embarcações capazes de enfrentarem o mar alto para a Invencível Armada. Esta acção teve como consequência que ainda em 1624 ainda não havia nenhuma embarcação para a pesca do bacalhau em nenhum dos portos de onde habitualmente se armavam barcos para essa pesca (Aveiro e Viana).
Durante este período, em 1583, Gilbert Raleigh tinha ocupado a Terra Nova, assim terminando a longa história das colónias de pescadores portugueses na América do Norte.
Daí, e até ao século XIX, a pesca do bacalhau feita pelos Portugueses desapareceu.
Para óbviar a falta de bacalhau pescado por portugueses, Portugal teve de recorrer à importação, e em grande quantidades. Entre 1819 e 1829 eram importadas cerca de 282.811 quintais de bacalhau, o que demonstra bem a importância deste peixe, e a sua importância para a economia nacional.
A 6 de Dezembro de 1830, um decreto visando criar incentivos à pesca em geral, inclui a pesca do bacalhau, que logo no Artigo 1º isentava os barcos portugueses com tripulações portuguesas de todos os “... direitos, contribuições,...” ou seja, a pesca ficava virtualmente isenta de impostos.
Esta vantagem foi compreendida pela Companhia de Pescarias Lisbonense, que, por não encontrar embarcações, nem pescadores com o know-how em Portugal, recorreu a Inglaterra para suprir esta falta. Foram compradas seis escunas, que vieram com tripulações ingleses que iriam treinar os futuros tripulantes portugueses."
🚤 Os Dóris — Um Homem Só em Pleno Atlântico
Em meados do século XX, uma campanha de pesca do bacalhau fazia-se entre Abril e Novembro: os navios largavam de Lisboa para uma viagem de quase duas mil milhas, mas paravam nos Açores uma semana depois. Depois de mais duas semanas de viagem lá chegavam aos bancos da Terra Nova, onde pescavam normalmente durante cerca de um mês. As jornadas de trabalho eram longas, e os pescadores estavam sujeitos a tempestades e nevoeiros.
Os barcos do bacalhau naquele tempo não eram de arrasto, por isso levavam dentro 40 a 60 "Dóris", uns barcos pequenos em madeira , do tamanho de um homem só, que andavam à vela e a remos, e que se empilhavam e amarravam uns aos outros em cima do convés. Quando rompia o dia, muito cedo, o Capitão mandava arriar os dóris para o mar, já com o homem dentro.
Quando se verificasse que a pesca estava a rarear, e que não era suficiente para encher o porão, o navio rumava ao porto de St. John's, na Terra Nova. Lá permaneciam normalmente cerca de uma semana, altura em que recebiam notícias de casa, e dormiam, pela primeira vez desde a largada de Lisboa, uma noite descansada.
Depois partiam para os mares da Gronelândia, para voltar à faina do bacalhau, onde o navio pescava durante cerca de dois meses. Assim que o porão estivesse cheio, o bacalhoeiro rumava a Portugal. Com sorte, se não enfrentasse mau temp, a viagem seria curta, de quinze dias.
Tudo isso acontecia nos seis meses entre a largada de Lisboa, na Primavera, e o regresso a casa, no Outono.
Um bom local para reviver um pouco da Faina Maior é o Museu Maritimo de Ílhavo, que para além de uma exposição permanente rica e interessante, irá inaugurar a 16 de Dezembro um aquário de bacalhaus. Adicionalmente, pode-se também visitar o Navio-Museu Santo André, que fez parte da frota portuguesa do bacalhau e pretende ilustrar as artes do arrasto.
Para saber mais sobre a Faina Maior, alguns bons livros são 1) "A Pesca do Bacalhau – História e Memória" de Álvaro Garrido; 2) "Heróis do Mar - Viagem à pesca do bacalhau" de Jorge Simões; 3) "A Campanha do Argus - Uma História da Pesca do Bacalhau" ("The Quest of the Schooner Argus" no seu título em inglês) de Alan Villiers e 4) "Faina Maior – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova", de Francisco Marques e Ana Maria Lopes.
No século XV, apesar do fim da colonização da Gronelândia e das viagens mais ou menos regulares entre o continente europeu e a ilha, a sua localização não foi esquecida, tal como não foi a informação da localização dos habitats do bacalhau, que havia chegado até aos portugueses.
A partir do século XV já nos surgem vários documentos sobre a pesca dos portugueses no Atlântico norte.
Em 1504 já havia colónias de pescadores de Viana do Minho e de Aveiro na Terra Nova.
Durante o reino de D. Manuel I era em Aveiro que eram armados mais barcos para a pesca longínqua, tal como viria a ser mais tarde no século XX. Segundo a “Corografia Portuguesa”, seriam cerca de 60 naus só para a pesca na Terra Nova, numero que subiu para aproximadamente 150 em 1550.
Até ao reinado de D. Sebastião a actividade aumenta, levando à publicação de um “Regimento para as frotas da pesca do bacalhau”, pelo qual estas frotas eram reorganizadas sob um comando unificado.
Após a morte de D. Sebastião, e a consequente ocupação Filipina, com a chegada ao trono de Filipe II de Espanha, I de Portugal, tiveram repercussões graves na frota bacalhoeira portuguesa. Entre as acções dos Filipes que prejudicaram a frota portuguesa, conta-se a requisição de todas as embarcações capazes de enfrentarem o mar alto para a Invencível Armada. Esta acção teve como consequência que ainda em 1624 ainda não havia nenhuma embarcação para a pesca do bacalhau em nenhum dos portos de onde habitualmente se armavam barcos para essa pesca (Aveiro e Viana).
Durante este período, em 1583, Gilbert Raleigh tinha ocupado a Terra Nova, assim terminando a longa história das colónias de pescadores portugueses na América do Norte.
Daí, e até ao século XIX, a pesca do bacalhau feita pelos Portugueses desapareceu.
Para óbviar a falta de bacalhau pescado por portugueses, Portugal teve de recorrer à importação, e em grande quantidades. Entre 1819 e 1829 eram importadas cerca de 282.811 quintais de bacalhau, o que demonstra bem a importância deste peixe, e a sua importância para a economia nacional.
A 6 de Dezembro de 1830, um decreto visando criar incentivos à pesca em geral, inclui a pesca do bacalhau, que logo no Artigo 1º isentava os barcos portugueses com tripulações portuguesas de todos os “... direitos, contribuições,...” ou seja, a pesca ficava virtualmente isenta de impostos.
Esta vantagem foi compreendida pela Companhia de Pescarias Lisbonense, que, por não encontrar embarcações, nem pescadores com o know-how em Portugal, recorreu a Inglaterra para suprir esta falta. Foram compradas seis escunas, que vieram com tripulações ingleses que iriam treinar os futuros tripulantes portugueses."
🚤 Os Dóris — Um Homem Só em Pleno Atlântico
Em meados do século XX, uma campanha de pesca do bacalhau fazia-se entre Abril e Novembro: os navios largavam de Lisboa para uma viagem de quase duas mil milhas, mas paravam nos Açores uma semana depois. Depois de mais duas semanas de viagem lá chegavam aos bancos da Terra Nova, onde pescavam normalmente durante cerca de um mês. As jornadas de trabalho eram longas, e os pescadores estavam sujeitos a tempestades e nevoeiros.
Os barcos do bacalhau naquele tempo não eram de arrasto, por isso levavam dentro 40 a 60 "Dóris", uns barcos pequenos em madeira , do tamanho de um homem só, que andavam à vela e a remos, e que se empilhavam e amarravam uns aos outros em cima do convés. Quando rompia o dia, muito cedo, o Capitão mandava arriar os dóris para o mar, já com o homem dentro.
Quando se verificasse que a pesca estava a rarear, e que não era suficiente para encher o porão, o navio rumava ao porto de St. John's, na Terra Nova. Lá permaneciam normalmente cerca de uma semana, altura em que recebiam notícias de casa, e dormiam, pela primeira vez desde a largada de Lisboa, uma noite descansada.
Depois partiam para os mares da Gronelândia, para voltar à faina do bacalhau, onde o navio pescava durante cerca de dois meses. Assim que o porão estivesse cheio, o bacalhoeiro rumava a Portugal. Com sorte, se não enfrentasse mau temp, a viagem seria curta, de quinze dias.
Tudo isso acontecia nos seis meses entre a largada de Lisboa, na Primavera, e o regresso a casa, no Outono.
📚 Para Saber Mais — Museus e Livros
Um bom local para reviver um pouco da Faina Maior é o Museu Maritimo de Ílhavo, que para além de uma exposição permanente rica e interessante, irá inaugurar a 16 de Dezembro um aquário de bacalhaus. Adicionalmente, pode-se também visitar o Navio-Museu Santo André, que fez parte da frota portuguesa do bacalhau e pretende ilustrar as artes do arrasto.
Para saber mais sobre a Faina Maior, alguns bons livros são 1) "A Pesca do Bacalhau – História e Memória" de Álvaro Garrido; 2) "Heróis do Mar - Viagem à pesca do bacalhau" de Jorge Simões; 3) "A Campanha do Argus - Uma História da Pesca do Bacalhau" ("The Quest of the Schooner Argus" no seu título em inglês) de Alan Villiers e 4) "Faina Maior – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova", de Francisco Marques e Ana Maria Lopes.


