Pois é, esta coisa de ter uma bicla nova, ser maluco por andar de bicicleta, ter amigos que sofrem da mesma pancada e que ainda por cima têm amigos que têm um camião bar (sim camião bar, essa história de roulotes é para meninos...) dá nestas coisas: uma voltita de 210 kms para ir comer um Caldo Verde e uma Bifana à Golegã !
Começando pelo ínicio: a "burra" nova - apesar de já ter sido estreada na semana passada (ver A primeira volta com o Cavallo Nero) - precisa ainda de habituação ao cavaleiro e vice-versa, por isso nada melhor do que fazer a rodagem com muitos e bons quilómetros rolantes pelas terras do Ribatejo da minha infância. Além disso precisava de tirar de vez as dúvidas sobre se devia trocar (ou não) o selim que veio de origem na bicla...
Depois a história do Camião Bar: o meu amigo e também ciclomaluco José Almeida tem uns amigos que resolveram montar um negócio de roulote XXL e que deram o nome de "Sem Talheres". Conforme os próprios explicam na sua página do Facebook, este "projecto surgiu da vontade de promover a qualidade e sabor dos produtos e bebidas nacionais. O Sem Talheres é um camião bar, construído de raiz para o efeito, com bebidas e comidas tipicamente portuguesas, que está presente em Festas e Eventos do Norte ao Sul do País". Para terem uma ideia do tamanho da coisa, é mesmo um reboque de "camião TIR" completamente equipado para servir comida em eventos, com sistema sonoro e 3 televisões plasma:
E por estes dia, o Sem Talheres está na XXXVIII FEIRA NACIONAL DO CAVALO - XV FEIRA INTERNACIONAL DO CAVALO LUSITANO - Feira de São Martinho que decorre de 1 a 11 de Novembro na Golegã.
Ora como se diz na minha terra, junta-se a fome com a vontade de comer, e o amigo Zé arrigimentou mais 2 malucos da margem sul e outro da margem norte do Tejo ("yours truly") para irem de bicla desde Corroios (no caso deles) e de Lisboa (no meu caso) até à Golegã e regressar.
Assim sendo, na sexta-feira lá aperaltei o Cavallo Nero em modo BRM com as luzes dianteiras e traseiras, para no sábado estar à espera do resto do bando às 7 da manhã no Parque das Nações. O Zé e o restante pessoal - Rui e Quim - vieram de barco até à Praça do Comércio. O tempo estava frescote mas não chovia o que é sempre bom (Bolas! Estou a ficar como o Hugo "BMC" Pires com medo duma chuvita - deve ser a idade...).
Depois de um café tomado numa pastelaria na zona do Trancão que estava aberta àquela hora, seguimos rumo a norte pela velha conhecida N10 e só parámos no Carregado para fazer inveja ao nosso amigo e colega do NCA, Paulo "Contador" Campos, que - coitado - trabalha normalmente ao fim-de-semana e não nos pode acompanhar nestas aventuras. Depois de cumprimentar o Paulo e combinar que voltariamos para o lanche, seguimos rumo a Santarém, desta vez via N3.
Como nem só de pedal vive um homem, parámos na Azambuja para uma sandes de panado e umas cervejolas para atestar o depósito. Da Azambuja até Santarém foi um instantinho a rolar na ondulante N3, sem grande trânsito devido à hora madrugadora.
Em Santarém tivemos uma paragem forçada devido a um furo na roda traseira da bicicleta do Rui que nos permitiu descansar da subida desde o CNEMA - que apesar de não ser a Serra da Estrela, cansa sempre um bocado, especialmente para tipos como eu que têm uns quilitos a a mais.
Reparado o furo, descemos em direcção à Ribeira de Santarém onde apanhámos a "estrada do campo" em direcção a Vale de Figueira - cerca de 10 quilómetros de estrada plana que nem uma panqueca - que deu para esticar as pernas e rolar à volta dos 35 kms/hora. Passada Vale de Figueira descemos em direcção ao Pombalinho, a que se seguiu a terra que viu nascer José Saramago - Azinhaga - que por aquela altura - 11 da manhã - já estava com as tascas e cafés pejados de pasteleiras Yé-Yé, Sirla e outras marcas do passado estacionadas na frente. A nossa vontade era também parar e beber um "copo de três", mas a Golegã era já ali à frente e o Caldo Verde e as Bifanas esperavam por nós. Além disso, por esta altura o Sol já tinha conseguido romper a neblina matinal, o que nos deu alento e aqueceu a alma e o corpo.
Passado o "Paris-Roubaix" que é o empedrado em parte da estrada que liga a Azinhaga à Golegã, lá chegámos ao nosso destino um pouco antes da hora prevista: 4 caramelos de quarenta e muitos anos, vestidos de lycra berrante e montados em biclas de plástico, nem na feira do cavalo da Golegã conseguem passar despercebidos :-) Ai vai a foto do grupo:
Depois de localizarmos o camião do Sem Talheres e dos cumprimentos da praxe foi altura de apreciar o dito camião (ultra-moderno, um "luxo" como se costuma dizer...) e almoçar. A ementa não poderia ser mais portuguesa:
- Caldo Verde
- Bifana
- Entremeada na Chapa
- Prego Nacional
- Hamburger Rústico
- Moelas
- Pão com Chouriço
- Enchidos Nacionais
- Tortas de Azeitão
Todos alinhámos no Caldo Verde, mas houve um dissidente que depois não alinhou nas tradicionais Bifanas e preferiu um Hamburger (não vou referir nomes para não o envergonhar :-) ). Como é o meu hábito recente nestas voltas de bicla, eu alinhei na bifana e na cerveja fresquinha.
A bifana do Sem Talheres é mais ao estilo do Beira Gare (ver Uma Bifana à Beira Gare) do que Vendas Novas (ver Bifanas de Vendas Novas), mas regionalismos de parte, estavam deliciosas !
Depois de uma longa pausa retemperadora em que aproveitámos para ver as vistas da feira do Cavalo, lá regressámos pelo mesmo caminho, sendo que apenas parámos em Santarém (para mais umas "mines") e no Carregado para um lanche mais substancial na pastelaria do Paulo "Contador" Campos.
Depois de novamente atestados os depósitos seguimos para Lisboa onde me separei dos meus companheiros por alturas da Bairro da Petrogal na Bobadela: eu virei para casa e eles lá seguiram em direcção ao barco para rumar ao "deserto" :-)
No final, foram 210 quilómetros, num dia bom para andar de bicicleta, na boa companhia de outros ciclomalucos, por estradas agradaveis e muitas vezes sem carros (especialmente na Leziria Ribatejana), e bebendo e comendo coisas simples mas boas.
Venham mais destes !
Começando pelo ínicio: a "burra" nova - apesar de já ter sido estreada na semana passada (ver A primeira volta com o Cavallo Nero) - precisa ainda de habituação ao cavaleiro e vice-versa, por isso nada melhor do que fazer a rodagem com muitos e bons quilómetros rolantes pelas terras do Ribatejo da minha infância. Além disso precisava de tirar de vez as dúvidas sobre se devia trocar (ou não) o selim que veio de origem na bicla...
Depois a história do Camião Bar: o meu amigo e também ciclomaluco José Almeida tem uns amigos que resolveram montar um negócio de roulote XXL e que deram o nome de "Sem Talheres". Conforme os próprios explicam na sua página do Facebook, este "projecto surgiu da vontade de promover a qualidade e sabor dos produtos e bebidas nacionais. O Sem Talheres é um camião bar, construído de raiz para o efeito, com bebidas e comidas tipicamente portuguesas, que está presente em Festas e Eventos do Norte ao Sul do País". Para terem uma ideia do tamanho da coisa, é mesmo um reboque de "camião TIR" completamente equipado para servir comida em eventos, com sistema sonoro e 3 televisões plasma:
E por estes dia, o Sem Talheres está na XXXVIII FEIRA NACIONAL DO CAVALO - XV FEIRA INTERNACIONAL DO CAVALO LUSITANO - Feira de São Martinho que decorre de 1 a 11 de Novembro na Golegã.
Ora como se diz na minha terra, junta-se a fome com a vontade de comer, e o amigo Zé arrigimentou mais 2 malucos da margem sul e outro da margem norte do Tejo ("yours truly") para irem de bicla desde Corroios (no caso deles) e de Lisboa (no meu caso) até à Golegã e regressar.
Assim sendo, na sexta-feira lá aperaltei o Cavallo Nero em modo BRM com as luzes dianteiras e traseiras, para no sábado estar à espera do resto do bando às 7 da manhã no Parque das Nações. O Zé e o restante pessoal - Rui e Quim - vieram de barco até à Praça do Comércio. O tempo estava frescote mas não chovia o que é sempre bom (Bolas! Estou a ficar como o Hugo "BMC" Pires com medo duma chuvita - deve ser a idade...).
Depois de um café tomado numa pastelaria na zona do Trancão que estava aberta àquela hora, seguimos rumo a norte pela velha conhecida N10 e só parámos no Carregado para fazer inveja ao nosso amigo e colega do NCA, Paulo "Contador" Campos, que - coitado - trabalha normalmente ao fim-de-semana e não nos pode acompanhar nestas aventuras. Depois de cumprimentar o Paulo e combinar que voltariamos para o lanche, seguimos rumo a Santarém, desta vez via N3.
Como nem só de pedal vive um homem, parámos na Azambuja para uma sandes de panado e umas cervejolas para atestar o depósito. Da Azambuja até Santarém foi um instantinho a rolar na ondulante N3, sem grande trânsito devido à hora madrugadora.
Em Santarém tivemos uma paragem forçada devido a um furo na roda traseira da bicicleta do Rui que nos permitiu descansar da subida desde o CNEMA - que apesar de não ser a Serra da Estrela, cansa sempre um bocado, especialmente para tipos como eu que têm uns quilitos a a mais.
Reparado o furo, descemos em direcção à Ribeira de Santarém onde apanhámos a "estrada do campo" em direcção a Vale de Figueira - cerca de 10 quilómetros de estrada plana que nem uma panqueca - que deu para esticar as pernas e rolar à volta dos 35 kms/hora. Passada Vale de Figueira descemos em direcção ao Pombalinho, a que se seguiu a terra que viu nascer José Saramago - Azinhaga - que por aquela altura - 11 da manhã - já estava com as tascas e cafés pejados de pasteleiras Yé-Yé, Sirla e outras marcas do passado estacionadas na frente. A nossa vontade era também parar e beber um "copo de três", mas a Golegã era já ali à frente e o Caldo Verde e as Bifanas esperavam por nós. Além disso, por esta altura o Sol já tinha conseguido romper a neblina matinal, o que nos deu alento e aqueceu a alma e o corpo.
Passado o "Paris-Roubaix" que é o empedrado em parte da estrada que liga a Azinhaga à Golegã, lá chegámos ao nosso destino um pouco antes da hora prevista: 4 caramelos de quarenta e muitos anos, vestidos de lycra berrante e montados em biclas de plástico, nem na feira do cavalo da Golegã conseguem passar despercebidos :-) Ai vai a foto do grupo:
Depois de localizarmos o camião do Sem Talheres e dos cumprimentos da praxe foi altura de apreciar o dito camião (ultra-moderno, um "luxo" como se costuma dizer...) e almoçar. A ementa não poderia ser mais portuguesa:
- Caldo Verde
- Bifana
- Entremeada na Chapa
- Prego Nacional
- Hamburger Rústico
- Moelas
- Pão com Chouriço
- Enchidos Nacionais
- Tortas de Azeitão
Todos alinhámos no Caldo Verde, mas houve um dissidente que depois não alinhou nas tradicionais Bifanas e preferiu um Hamburger (não vou referir nomes para não o envergonhar :-) ). Como é o meu hábito recente nestas voltas de bicla, eu alinhei na bifana e na cerveja fresquinha.
A bifana do Sem Talheres é mais ao estilo do Beira Gare (ver Uma Bifana à Beira Gare) do que Vendas Novas (ver Bifanas de Vendas Novas), mas regionalismos de parte, estavam deliciosas !
Depois de uma longa pausa retemperadora em que aproveitámos para ver as vistas da feira do Cavalo, lá regressámos pelo mesmo caminho, sendo que apenas parámos em Santarém (para mais umas "mines") e no Carregado para um lanche mais substancial na pastelaria do Paulo "Contador" Campos.
Depois de novamente atestados os depósitos seguimos para Lisboa onde me separei dos meus companheiros por alturas da Bairro da Petrogal na Bobadela: eu virei para casa e eles lá seguiram em direcção ao barco para rumar ao "deserto" :-)
No final, foram 210 quilómetros, num dia bom para andar de bicicleta, na boa companhia de outros ciclomalucos, por estradas agradaveis e muitas vezes sem carros (especialmente na Leziria Ribatejana), e bebendo e comendo coisas simples mas boas.
Venham mais destes !



Comentários
Enviar um comentário
Deixe aqui o seu comentário