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BRM Planícies e Montados 300 - A minha crónica

Depois das crónicas do Arlindo Beicinha, Luis Inácio e José Almeida já não tenho desculpa e tenho mesmo que escrever a minha crónica sobre o Brevet Randonneurs Portugal (BRM) "Planícies e Montados 300" de 2013...


Para quem não conhece os BRM, trata-se de "ciclismo de longa distância não competitivo". A minha primeira experiência neste tipo de eventos tinha sido o L'Antique 200 (podem consultar a minha crónica aqui) e já tinha sido suficientemente desafiador para "temer" a participação num evento com um pouco mais de 300 quilómetros. Mas já me estou a adiantar...

Voltando ao inicio: o "Planícies e Montados 300" saíu de Vila Franca de Xira às seis horas da manhã. Ora, a essa hora e no ínicio de Março ainda é noite cerrada, e tendo em consideração que estava a apontar fazer os 310 quilómetros num tempo total (incluindo paragens) entre as 14 e as 15 horas, significava que ía chegar já com noite cerrada novamente.

Por isso, este BRM obrigou a uma preparação da bicla diferente do habitual. Primeiro, tive que comprar uma luz frontal decente - daquelas tipo faróis de carro :-)

A minha escolha recaíu sobre um conjunto MagicShine MJ-872.



Esta luz consegue produzir desde 300 a 1200 lumens em quatro níveis de potência, e a bateria aguenta (testado por mim...) cerca de 5,5 horas nos 300 lumens, que é mais que suficiente para iluminar a estrada para nós e mais uns quantos que tenham a sorte/azar de seguir à frente :-)

A compra desta luz na "net" serviu também para perceber como o mundo já evoluiu: a MagicShine é uma marca chinesa que começou por "copiar" luzes de marcas europeias e/ou americanas, mas agora a qualidade (e sobretudo a relação preço/qualidade) dos seus produtos já ultrapassou os dos produtos originais. Mas o mais surpreendente não é isso, mas sim o facto de existirem outras empresas chinesas a copiarem a MagicShine !!!! Por isso tenham cuidado a comprar na "net" para evitarem surpresas potencialmente desagradáveis...

Avançando... Como ainda não estou preparado psicologicamente para colocar umas malas laterais na bicla como os "pros" desta coisa do ciclismo de longa distância - "para carregar peso já basta a minha pança proeminente" é a minha desculpa - comprei também uma pequena bolsa para colocar no tubo superior de forma a levar mais algumas barras de gel e pastilhas de eletrólitos para colocar na água.

Aqui ficam - para a posteridade - algumas fotos da bicla em todo o seu "esplendor BRM":








Para o Alqueva 400 o "kit BRM" já foi incrementado com uma bateria suplementar para o MagicShine, uma luz traseira Cateye TL-LD610 (para substituir a RapidEye 3) e uns bidons Elite Scalatore de 1 litro para conseguir fazer a noite (o evento começa à meia noite...) sem abastecer de água caso seja necessário. Ora, como isso tudo acrescenta quase 3 quilos à bicla, tenho como objectivo perder esses 3 quilos até 25 de Maio ! "A ver vamos" como dizia o cego :-)


Voltando ao evento propriamente dito: por várias razões - uma pequena gripe e "stresses" profissionais principalmente - não consegui treinar como deveria para o evento. Por isso, na madrugada de sábado 2 de Março de 2013 foi com alguma apreenção que me encontrei com os companheiros destas aventuras de Randonneurs: o José Almeida e o Luís Inácio. Desta vez o Arlindo Beicinha - companheiro de muitos Audaces - também conseguiu juntar-se a nós, o que constituia uma garantia de termos uma equipa mais ou menos coesa para fazer o BRM: tinhamos duas locomotivas - o Zé e o Arlindo - e duas carruagens - eu e o Luís :-)







Se estão a perguntar porque é que as minhas fotos estão todas um pouco desfocadas, deve ser porque era assim que eu estava: desfocado...

Eu explico: após a saída de Vila Franca de Xira e até ao Couço, a coisa fez-se bem, tendo inclusive puxado um pouco pelo pelotão de cerca de 40 ciclomalucos que participaram neste BRM. Depois do Couço e após paragem num dos pontos de controlo do evento, eu e o José Almeida ficámos para trás para nos alimentarmos e tratarmos de outras necessidades fisiológicas. Resultado, perdemos o comboio e fomos em contra-relógio individual até encontrarmos o Arlindo e o Luís que tinham seguido com o pelotão mas que ficaram depois à nossa espera.

Chegámos a Ponte de Sor (após cerca de 115 kms de prova...) um pouco depois do pelotão principal e com o entusiasmo não fizémos o que a malta profissional dos BRM optou por fazer, ou seja, comer uma sopinha quente na cafetaria do Intermarché :-)

Saímos de Ponte de Sor e passados alguns quilómetros começaram as dificuldades para mim: levei com a marreta e andei uns bons 70 kms a arrastar-me pelo Alentejo até chegar a Arraiolos !! A malta que acha que o Alentejo é plano devia fazer o "Planícies e Montados" e depois logo me dizem se mantém a opinião :-) Plano, plano é o meu Ribatejo e mesmo assim não é todo...

O que me  aguentou nestes 70 quilómetros - passados literalmente no inferno - foi o apoio e os incentivos do meus companheiros de aventura. Se não fossem eles não tinha conseguido chegar a Arraiolos e tinha desistido... O Luis bem se esforçou por me animar contando umas anedotas mas eu estava tão cansado que nem conseguia rir !!!

Chegados a Arraiolos (já com 185 kms nas pernas...), parámos no primeiro café/restaurante/pastelaria que encontrámos e comemos e bebemos então como deve de ser: uma sopinha quente, uma sandes de carne assada, umas empadas de qualquer coisa e sobretudo uma "mini"... Ah, nunca uma cerveja me soube tão bem !!! A tal ponto que me tornei naquele dia e naquele lugar mais um crente no poder das "minis", ou melhor das "mines" como os verdadeiros crentes dizem :-)

Recomposto pela comida e pela "mine" prosseguimos viagem até Montemor-o-Novo e Vendas Novas onde parámos para uma bem merecida bifana e mais uma "mine" :-)

As bifanas de Vendas Novas já têm uma longa história neste blog (ver "O dia em que fiz 167 kms de bicicleta") mas o que me soube mesmo bem foi a famigerada "mine" :-)

Com o tanque novamente atestado, fizemos os cerca de 55 kms que separam Vendas Novas do Porto Alto literamente a voar baixinho: rodávamos consistentemente entre os 30 e os 35 kms/hora. Parámos apenas para o Zé Almeida e o Luis tentarem pôr a funcionar as luzinhas pirilampo que levaram: amigos, o tamanho não interessa mas no que diz respeito a luzes dianteiras, se não fosse a "lanterna" do Arlindo e o meu "farol" vocês ainda hoje estavam à procura do Porto Alto :-)

Voltando à apologia da "mine": depois de Arraiolos e da primeira "mine", fiz os 115 kms finais do BRM em melhor ritmo que os 70 kms entre Ponte de Sôr e Arraiolos. Com um resultado destes, as "mines" vão passar a fazer parte dos meus "lanches" nos BRM juntamente com a sopinha quente :-)

Por falar em Lance - sim, eu sei, é um bocado forçado mas foi o que se arranjou :-) - o melhor resumo para o que se passou comigo neste BRM é uma das famosas frases do Lance Armstrong: "Pain is temporary, quitting lasts forever".

"A dor é temporária, mas desistir dura para sempre": neste BRM morri e ressuscitei qual Lázaro, graças não a Jesus Cristo mas sim aos meus companheiros de aventura - Zé Almeida, Luis Inácio e Arlindo Beicinha. Graças a eles, à força de vontade e - vá lá: também às "mines" - completei mais um desafio pessoal e ultrapassei fronteiras que julguei que não conseguia... Afinal é isso que é um BRM: uma viagem dificil que se consegue fazer através da perseverança !!!

Para a posteridade, aqui ficam os números do "Planícies e Montados" (faltam cerca de 10 kms no track GPS, porque eu estava tão cansado que desligava o Garmin nos pontos de controlo e só me lembrava de o ligar de novo passados uns kms...):


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