Bom, já que vou dar cabo da minha dieta por estes dias por causa - entre outras coisas - do "Bolo Rei", mais vale investigar um pouco e tentar descobrir as origens do dito: afinal é sempre bom conhecer os nossos "inimigos" :-)
Existem três "estórias" interessantes relacionadas com o "Bolo Rei": a simbologia dos frutos secos e outras caracteristicas do bolo, a história da sua introdução em Portugal e a "estória" por detrás da "fava" e do "brinde".
Começando pela parte da simbologia do "Bolo Rei": de uma forma muito resumida, pode dizer-se que o "Bolo Rei" representa os presentes que os três Reis Magos deram a Jesus Cristo aquando do seu nascimento. Assim, a côdea simboliza o ouro; as frutas cristalizadas representam a mirra, e o aroma do bolo personifica o incenso.
A mesma lenda explica também a existência da fava no Bolo Rei, embora a provével origem seja outra como veremos mais à frente: quando os Reis Magos viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Cristo, disputaram entre si qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar a Jesus os presentes que levavam. Como não conseguiram chegar a um acordo e com vista a acabar com a discussão, um padeiro confeccionou um bolo escondendo no interior da massa uma fava. De seguida cada um dos três Magos do Oriente pegaria numa fatia. O Rei Mago que tivesse a sorte de retirar a fatia contendo a fava seria o que ganharia o direito de entregar em primeiro lugar os presentes a Jesus. O dilema ficou solucionado, embora não se saiba quem foi o "ganhador": Gaspar, Baltazar, ou Belchior.
Históricamente falando, a versão é bem diferente. Aproveitando um inocente jogo de crianças, os Romanos inseriram a sua prática nos banquetes durantes os quais se procedia à eleição do rei da festa, que consistia em escolher entre si um rei tirando-o à sorte com favas, por isso designado por vezes também "rei da fava". Esta prática era muito utilizada nos banquetes das Saturnais, festividades que se realizavam em 25 de Dezembro, em celebração do solstício de Inverno. A Igreja Católica - tal como aconteceu com muitas outras tradições e festas pagãs - aproveitou o facto das Saturnais e do "jogo da fava" serem realizados no mês de Dezembro e decidiu relacionar este último com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro, determinando que esta última data fosse designada por Dia de Reis e simbolizada por uma fava introduzida num bolo.
Já o "brinde" era colocado no bolo como forma de presente. Havia quem colocasse nos bolos pequenas adivinhas cuja recompensa seria meia libra de ouro. Outros incluíam propositadamente as moedas de ouro na massa, como forma de agradecimento. Com o passar do tempo o brinde passou a ser um pequeno objecto metálico de valor apenas simbólico.
Com o aparecimento do "brinde": a fava passou a ter uma conotação negativa, representando uma espécie de azar, tendo quem a encontra duas opções: assumir o pagamento do próximo bolo ou correr perigo de engoli-la.
As regras comunitárias, vieram ditar que tanto o brinde como a fava fossem interditados e assim desapareceram dos "Bolos Rei".
Em relação à introdução do "Bolo Rei" em Portugal, segundo consta a receita foi trazida de Paris pelo filho do fundador da Confeitaria Nacional de Lisboa, Baltazar Rodrigues Castanheiro Júnior, local onde foi vendido pela primeira vez em meados do século XIX, mais concretamente depois de 1870.
Voltando ao "nosso" "Bolo Rei", depois do sucesso da Confeitaria Nacional, outras confeitarias de Lisboa passaram a fabricá-lo, o que deu origem a versões diversas, que de comum tinham apenas a fava. No Porto, foi posto à venda pela primeira vez em 1890, por iniciativa da Confeitaria de Cascais. Diz-se que este "Bolo Rei" também era feito segundo receita que o proprietário daquela confeitaria, Francisco Júlio Cascais, trouxera de Paris.
Existem três "estórias" interessantes relacionadas com o "Bolo Rei": a simbologia dos frutos secos e outras caracteristicas do bolo, a história da sua introdução em Portugal e a "estória" por detrás da "fava" e do "brinde".
Começando pela parte da simbologia do "Bolo Rei": de uma forma muito resumida, pode dizer-se que o "Bolo Rei" representa os presentes que os três Reis Magos deram a Jesus Cristo aquando do seu nascimento. Assim, a côdea simboliza o ouro; as frutas cristalizadas representam a mirra, e o aroma do bolo personifica o incenso.
A mesma lenda explica também a existência da fava no Bolo Rei, embora a provével origem seja outra como veremos mais à frente: quando os Reis Magos viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Cristo, disputaram entre si qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar a Jesus os presentes que levavam. Como não conseguiram chegar a um acordo e com vista a acabar com a discussão, um padeiro confeccionou um bolo escondendo no interior da massa uma fava. De seguida cada um dos três Magos do Oriente pegaria numa fatia. O Rei Mago que tivesse a sorte de retirar a fatia contendo a fava seria o que ganharia o direito de entregar em primeiro lugar os presentes a Jesus. O dilema ficou solucionado, embora não se saiba quem foi o "ganhador": Gaspar, Baltazar, ou Belchior.
Históricamente falando, a versão é bem diferente. Aproveitando um inocente jogo de crianças, os Romanos inseriram a sua prática nos banquetes durantes os quais se procedia à eleição do rei da festa, que consistia em escolher entre si um rei tirando-o à sorte com favas, por isso designado por vezes também "rei da fava". Esta prática era muito utilizada nos banquetes das Saturnais, festividades que se realizavam em 25 de Dezembro, em celebração do solstício de Inverno. A Igreja Católica - tal como aconteceu com muitas outras tradições e festas pagãs - aproveitou o facto das Saturnais e do "jogo da fava" serem realizados no mês de Dezembro e decidiu relacionar este último com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro, determinando que esta última data fosse designada por Dia de Reis e simbolizada por uma fava introduzida num bolo.
Já o "brinde" era colocado no bolo como forma de presente. Havia quem colocasse nos bolos pequenas adivinhas cuja recompensa seria meia libra de ouro. Outros incluíam propositadamente as moedas de ouro na massa, como forma de agradecimento. Com o passar do tempo o brinde passou a ser um pequeno objecto metálico de valor apenas simbólico.
Com o aparecimento do "brinde": a fava passou a ter uma conotação negativa, representando uma espécie de azar, tendo quem a encontra duas opções: assumir o pagamento do próximo bolo ou correr perigo de engoli-la.
As regras comunitárias, vieram ditar que tanto o brinde como a fava fossem interditados e assim desapareceram dos "Bolos Rei".
Em relação à introdução do "Bolo Rei" em Portugal, segundo consta a receita foi trazida de Paris pelo filho do fundador da Confeitaria Nacional de Lisboa, Baltazar Rodrigues Castanheiro Júnior, local onde foi vendido pela primeira vez em meados do século XIX, mais concretamente depois de 1870.
O "Bolo Rei" francês já existia na idade média, e denominava-se "Gâteau des Rois", sendo fabricado sobretudo no sul da França. Existe outro bolo também chamado de "Galette des Rois", confeccionado no norte de França, mas que não não é tão parecido com o nosso "Bolo Rei", sendo feito de massa folhada e por vezes recheado de creme.
Em 1711, em França, como a fome alastrava, o fabrico do "Gâteau des Rois" foi proibido
para se poder utilizar a farinha apenas para fabricar pão, embora só em Paris é
que essa proibição foi respeitada. Em 1789 com a revolução francesa, o "Gâteau des Rois" teve o
mesmo problema que mais tarde o "Bolo Rei" em Portugal, tendo havido um movimento para mudar o nome para "Galette de l'égalité" ("Bolo da Igualdade").
Voltando ao "nosso" "Bolo Rei", depois do sucesso da Confeitaria Nacional, outras confeitarias de Lisboa passaram a fabricá-lo, o que deu origem a versões diversas, que de comum tinham apenas a fava. No Porto, foi posto à venda pela primeira vez em 1890, por iniciativa da Confeitaria de Cascais. Diz-se que este "Bolo Rei" também era feito segundo receita que o proprietário daquela confeitaria, Francisco Júlio Cascais, trouxera de Paris.
Tal como acontecera uns séculos antes em França, com a proclamação da República Portuguesa em 1910, a palavra "Rei",
símbolo do poder deposto nesse ano, tinha de desaparecer do "Bolo Rei". Foi assim que passou a
chamar-se "Bolo de Natal" ou "Bolo de Ano Novo". Alguns propuseram chamá-lo de "Bolo Nacional", numa referência à Confeitaria Nacional. Os republicanos mais ferrenhos queriam que o bolo se passasse a chamar "Bolo Presidente" ou "Bolo Arriaga", nome do primeiro presidente eleito da República Portuguesa - Manuel de Arriaga (na realidade de nome completo Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue - "Bolo Peyrelongue" não ficava nada bem, pois não?).
O "Bolo Rei" existe em numerosos países: na Catalunha é chamado de "Tortell", no resto da Espanha de "Roscón", no Estados Unidos de "King Cake" e no México de "Rosca".
Resta dizer que esta crónica é dedicada à minha mulher que se tornou pasteleira afamada desde que comprou a Bimby e começou a fazer "Bolos Rei", que alguns já compararam em qualidade com os da Confeitaria Nacional. Está um no forno a ser preparado enquanto escrevo esta crónica: ora vejam lá se não é apetitoso:
O "Bolo Rei" existe em numerosos países: na Catalunha é chamado de "Tortell", no resto da Espanha de "Roscón", no Estados Unidos de "King Cake" e no México de "Rosca".
Resta dizer que esta crónica é dedicada à minha mulher que se tornou pasteleira afamada desde que comprou a Bimby e começou a fazer "Bolos Rei", que alguns já compararam em qualidade com os da Confeitaria Nacional. Está um no forno a ser preparado enquanto escrevo esta crónica: ora vejam lá se não é apetitoso:
E aqui está a obra final:




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