Cinco da manhã. Pelo menos a hora tinha mudado para a "hora de inverno" de madrugada, o que quer dizer que eram seis da manhã da hora "de ontem" - sábado 27 de Outubro. Mesmo assim custou a levantar-me. Repetir o ritual das manhãs de passeios de bicicleta e pelas 6:30 estava a sair de casa rumo a Sacavém onde estava marcado o encontro com o resto da malta do NCA que ia participar no "II Audace do Barreiro".
Desta vez levávamos uma equipa de "peso", e não estou a falar do facto de eu não ter andado de bicicleta nem treinado nestas ultimas três semanas, e como tal ter engordado uns "quilitos". Este Audace tinha como atractivo principal a subida à Serra da Arrábida pelo lado de Azeitão e por isso conseguimos mobilizar o nosso trepador, o Paulo "Contador de Arruda" Campos. Como "equipiers" para a montanha levámos o Simão Amaral e o Tozé. Como o resto do percurso - cerca de 100 quilómetros - era completamente plano, levávamos três roladores: o Luis Inácio, o Jacob Souza e eu.
O dia começou frio e com algum vento, de tal forma que pensei seriamente levar um casaco corta-vento. Mas a perspectiva de subir a Arrábida e o Sol que entretanto começou a aquecer a manhã e a alma, fez-me mudar de ideias.
Os nossos planos de dominar-mos o Audace ao estilo da Sky na volta à França começaram a dar para o torto quando o Jacob descobriu que não tinha levado os sapatos para os pedais de encaixe. Viamo-nos assim privados de um rolador para o "controlo" da corrida.
A partida foi dada às oito da manhã pelo Presidente da CM do Barreiro, mas antes dessa hora já havia malta que tinha começado o Audace. Uma situação a rever pela organização, porque apesar de o objectivo ser terminar a prova e os tempos serem irrelevantes, o "terreno" deve ser igual para todos...
Apesar do percalço com os pedais o Jacob lá arrancou connosco, calçado com uns ténis normais, mas como seria de esperar teve dificuldade em acompanhar-nos e foi ficando para trás. Dos nossos homens para a montanha, só o "Contador de Arruda" estava a mostrar pedalada e conseguia acompanhar o grupo da frente. Eu seguia logo a seguir e o resto da equipa vinha logo atrás.
Foi nesse estado das coisas que chegámos à primeira subida para a Arrábida (do km 13,93 - 14 metros ao km 20,02 - 154 metros, Gradiente Médio 2,30%), logo a seguir a Vila Nogueira de Azeitão: aí o Contador desapareceu de vista e eu "esperei" pelo resto da equipa, que por esta altura estava reduzida ao Luis, Simão e Tozé.
Antes da subida final para a Arrábida, ainda tivemos um topo que enganadoramente pareceu fácil mas que acusou um gradiente médio de 5% no GPS (do km 24,04 - 27 metros ao km 25,47 - 99 metros). Quando a "derradeira" subida para a Arrábida começou (do km 27,44 - 28 metros ao km 34,93 - 376 metros, gradiente médio de 4,65%) já não havia sinal do "Contador de Arruda", mas mesmo assim o Simão e o Tozé partiram montanha acima e eu fiquei com o Luis Inácio em modo "grupeto de sprinters", ou seja, a subir devagar, devagarinho...
O Simão e o Tozé esperaram por nós no cimo da subida, junto ao primeiro Ponto de Controlo do Audace, e começámos a longa descida para Setúbal passando pelo Portinho da Arrábida. O dia tinha-se posto maravilhoso, estava um Sol esplendoroso, e a Serra da Arrábida - com o mar de um lado e a vista sobre Lisboa do outro - estava simplesmente espectacular, de tal forma que acho que gritei "Sou o Rei do Mundo!" umas quantas vezes: enfim, cada ciclomaluco com a sua tara :-)
Ultrapassada a Arrábida o destino era Setúbal e depois Águas de Moura. à saída de Setúbal encontrámos dois companheiros que tinham sido abalroados por detrás por um automóvel. Felizmente os dois estavam bem, mas o mesmo já não se podia dizer das bicicletas que estavam uma lástima... Aparentemente, a condutora do automóvel disse depois que ficou encadeada com o Sol e não viu os dois ciclistas.
Como estava tudo OK e controlado, seguimos viagem rumo a Águas de Moura: estrada relativamente boa, rolante, e sem muito tráfego àquela hora. Com quatro elementos do NCA - Simão, Luis Inácio, Tozé e eu - todos equipados a rigor, pareciamos uma equipa profissional a rolar pelas estradas do "deserto" (citando o Mário Lino) e eu e o Luís aproveitámos para passar um pouco pela frente e puxar para não sermos acusados de irmos "à mama" :-)
Algures no "Sahara" - parafraseando novamente Mário Lino - encontrámos um "Samuel Sanchez" que tinha furado e estava a ser ajudado - não por companheiros do Audace - mas por outros ciclistas que por lá passavam.
O "Samuel Sanchez" - equipado a rigor com o equipamento da Euskatel, Orbea Orca laranja e até com pneus com listas laranjas - pediu-nos para esperar por ele visto que estava sozinho e não conhecia a zona do país e o percurso. Ficámos depois a saber que o "Samuel Sanchez" era de Faro e particpava regularmente nos Audaces, qualquer que fosse o local do país onde estes se realizassem...
Lá esperámos e foi em grupo de cinco que rolámos em alta velocidade - acima dos 35 km/h - até ao segundo Ponto de Controlo instalado no Restaurante "O Carlos" em Pegões. Carta do Audace carimbada, bidons reabastecidos e lá seguimos em direcção a Sarilhos Grandes passando pelo Poceirão.
De Pegões até Sarilhos Grandes, a maioria do esforço na frente foi feito pelo Tozé, que parecia uma locomotiva diesel a puxar pelas carruagens que - a muito esforço - o lá seguiam...
Passados os Sarilhos Grandes lá entrámos na zona urbana - desculpem, não consigo evitar :-) - do deserto.
Por esta altura, já me doíam partes do corpo que eu nem sabia que existiam, isto para não falar do calcanhar de Aquiles dos ciclistas de domingo - o traseiro... Cãibras então eram nos músculos todos das pernas, mas como já escrevi várias vezes, a solução é não parar de pedalar...
Como estavámos já novamente em zona urbana, o tráfego já se fazia sentir, e baixámos o ritmo e seguimos com mais cuidado para não nos acontecer o mesmo que aconteceu aos companheiros de Audace em Setúbal. Felizmente, foi sem percalços que chegámos em grupo à "meta": os quatro bravos do NCA e o "Samuel Sanchez".
Chegados à meta descobrimos novamente o Jacob que tinha feito um atalho e que não tinha subido a Arrábida: mesmo assim e considerando que estava com ténis normais e pedais de encaixe na bicla, não andou nada mal.
Mas a nossa maior surpresa foi vermos chegar o "Contador de Arruda" depois de nós. O "anjinho" estava no grupo da frente mas resolveu ir à casa de banho quando pararam no Ponto de Controlo 2 ! Resultado, perdeu o grupo, ficou sozinho, perdeu-se, fez mais oito quilómetros do que devia e chegou depois dos "sprinters" e roladores !!!! Deve ter sido a primeira vez que o Contador chegou depois do Tom Boonen, num percurso com uma montanha pelo meio :-)
No fim do dia, fiz 140 quilómetros com uma média de 27,8 km/h para uma altimetria de 1396 metros: nada mau para quem não se preparou convenientemente e não treinou nas últimas três semanas !!!
Desta vez levávamos uma equipa de "peso", e não estou a falar do facto de eu não ter andado de bicicleta nem treinado nestas ultimas três semanas, e como tal ter engordado uns "quilitos". Este Audace tinha como atractivo principal a subida à Serra da Arrábida pelo lado de Azeitão e por isso conseguimos mobilizar o nosso trepador, o Paulo "Contador de Arruda" Campos. Como "equipiers" para a montanha levámos o Simão Amaral e o Tozé. Como o resto do percurso - cerca de 100 quilómetros - era completamente plano, levávamos três roladores: o Luis Inácio, o Jacob Souza e eu.
O dia começou frio e com algum vento, de tal forma que pensei seriamente levar um casaco corta-vento. Mas a perspectiva de subir a Arrábida e o Sol que entretanto começou a aquecer a manhã e a alma, fez-me mudar de ideias.
Os nossos planos de dominar-mos o Audace ao estilo da Sky na volta à França começaram a dar para o torto quando o Jacob descobriu que não tinha levado os sapatos para os pedais de encaixe. Viamo-nos assim privados de um rolador para o "controlo" da corrida.
A partida foi dada às oito da manhã pelo Presidente da CM do Barreiro, mas antes dessa hora já havia malta que tinha começado o Audace. Uma situação a rever pela organização, porque apesar de o objectivo ser terminar a prova e os tempos serem irrelevantes, o "terreno" deve ser igual para todos...
Apesar do percalço com os pedais o Jacob lá arrancou connosco, calçado com uns ténis normais, mas como seria de esperar teve dificuldade em acompanhar-nos e foi ficando para trás. Dos nossos homens para a montanha, só o "Contador de Arruda" estava a mostrar pedalada e conseguia acompanhar o grupo da frente. Eu seguia logo a seguir e o resto da equipa vinha logo atrás.
Foi nesse estado das coisas que chegámos à primeira subida para a Arrábida (do km 13,93 - 14 metros ao km 20,02 - 154 metros, Gradiente Médio 2,30%), logo a seguir a Vila Nogueira de Azeitão: aí o Contador desapareceu de vista e eu "esperei" pelo resto da equipa, que por esta altura estava reduzida ao Luis, Simão e Tozé.
Antes da subida final para a Arrábida, ainda tivemos um topo que enganadoramente pareceu fácil mas que acusou um gradiente médio de 5% no GPS (do km 24,04 - 27 metros ao km 25,47 - 99 metros). Quando a "derradeira" subida para a Arrábida começou (do km 27,44 - 28 metros ao km 34,93 - 376 metros, gradiente médio de 4,65%) já não havia sinal do "Contador de Arruda", mas mesmo assim o Simão e o Tozé partiram montanha acima e eu fiquei com o Luis Inácio em modo "grupeto de sprinters", ou seja, a subir devagar, devagarinho...
O Simão e o Tozé esperaram por nós no cimo da subida, junto ao primeiro Ponto de Controlo do Audace, e começámos a longa descida para Setúbal passando pelo Portinho da Arrábida. O dia tinha-se posto maravilhoso, estava um Sol esplendoroso, e a Serra da Arrábida - com o mar de um lado e a vista sobre Lisboa do outro - estava simplesmente espectacular, de tal forma que acho que gritei "Sou o Rei do Mundo!" umas quantas vezes: enfim, cada ciclomaluco com a sua tara :-)
Ultrapassada a Arrábida o destino era Setúbal e depois Águas de Moura. à saída de Setúbal encontrámos dois companheiros que tinham sido abalroados por detrás por um automóvel. Felizmente os dois estavam bem, mas o mesmo já não se podia dizer das bicicletas que estavam uma lástima... Aparentemente, a condutora do automóvel disse depois que ficou encadeada com o Sol e não viu os dois ciclistas.
Como estava tudo OK e controlado, seguimos viagem rumo a Águas de Moura: estrada relativamente boa, rolante, e sem muito tráfego àquela hora. Com quatro elementos do NCA - Simão, Luis Inácio, Tozé e eu - todos equipados a rigor, pareciamos uma equipa profissional a rolar pelas estradas do "deserto" (citando o Mário Lino) e eu e o Luís aproveitámos para passar um pouco pela frente e puxar para não sermos acusados de irmos "à mama" :-)
Algures no "Sahara" - parafraseando novamente Mário Lino - encontrámos um "Samuel Sanchez" que tinha furado e estava a ser ajudado - não por companheiros do Audace - mas por outros ciclistas que por lá passavam.
O "Samuel Sanchez" - equipado a rigor com o equipamento da Euskatel, Orbea Orca laranja e até com pneus com listas laranjas - pediu-nos para esperar por ele visto que estava sozinho e não conhecia a zona do país e o percurso. Ficámos depois a saber que o "Samuel Sanchez" era de Faro e particpava regularmente nos Audaces, qualquer que fosse o local do país onde estes se realizassem...
Lá esperámos e foi em grupo de cinco que rolámos em alta velocidade - acima dos 35 km/h - até ao segundo Ponto de Controlo instalado no Restaurante "O Carlos" em Pegões. Carta do Audace carimbada, bidons reabastecidos e lá seguimos em direcção a Sarilhos Grandes passando pelo Poceirão.
De Pegões até Sarilhos Grandes, a maioria do esforço na frente foi feito pelo Tozé, que parecia uma locomotiva diesel a puxar pelas carruagens que - a muito esforço - o lá seguiam...
Passados os Sarilhos Grandes lá entrámos na zona urbana - desculpem, não consigo evitar :-) - do deserto.
Por esta altura, já me doíam partes do corpo que eu nem sabia que existiam, isto para não falar do calcanhar de Aquiles dos ciclistas de domingo - o traseiro... Cãibras então eram nos músculos todos das pernas, mas como já escrevi várias vezes, a solução é não parar de pedalar...
Como estavámos já novamente em zona urbana, o tráfego já se fazia sentir, e baixámos o ritmo e seguimos com mais cuidado para não nos acontecer o mesmo que aconteceu aos companheiros de Audace em Setúbal. Felizmente, foi sem percalços que chegámos em grupo à "meta": os quatro bravos do NCA e o "Samuel Sanchez".
Chegados à meta descobrimos novamente o Jacob que tinha feito um atalho e que não tinha subido a Arrábida: mesmo assim e considerando que estava com ténis normais e pedais de encaixe na bicla, não andou nada mal.
Mas a nossa maior surpresa foi vermos chegar o "Contador de Arruda" depois de nós. O "anjinho" estava no grupo da frente mas resolveu ir à casa de banho quando pararam no Ponto de Controlo 2 ! Resultado, perdeu o grupo, ficou sozinho, perdeu-se, fez mais oito quilómetros do que devia e chegou depois dos "sprinters" e roladores !!!! Deve ter sido a primeira vez que o Contador chegou depois do Tom Boonen, num percurso com uma montanha pelo meio :-)
No fim do dia, fiz 140 quilómetros com uma média de 27,8 km/h para uma altimetria de 1396 metros: nada mau para quem não se preparou convenientemente e não treinou nas últimas três semanas !!!

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