Um outro titulo para esta crónica poderia ser "De volta à realidade" ou "Uma lição de humildade"...
Esta foi a primeira vez que participei no passeio "Sobral - Fátima", passeio esse dinamizado e organizado pelo Paulo Jorge Campos, um companheiro do NCA de Arruda dos Vinhos. Convém referir que este não é um passeio de cicloturismo organizado, mas sim um passeio "free ride" sem a habitual presença de batedores da PSP ou GNR.
Na partida do Sobral de Monte Agraço às 07:30 éramos cerca de 20 ciclomalucos, e contávamos com o apoio das 2 carrinhas do NCA e de alguns carros de familiares e amigos.
O perfil dos participantes era bastante variado: havia gente que era quase profissional até malta que só dá voltas domingueiras. Da parte do NCA, e para além do "Contador de Arruda" (o Paulo Jorge Campos) e de eu próprio, participaram o Zé Almeida, o S. Amaral, e o Luis Inácio e contámos com o inestimável apoio logistico do Oliveira e do Casimiro, este último uma "desistência" de última hora, visto que se "amedrontou" com a chuva que estava a cair e decidiu ir na carrinha em vez de ir a pedalar :-)
Por falar em chuva, e como tem sido hábito sempre que eu participo nestas coisas, fomos comtemplados com uma monumental carga de água nos primeiros 40 kms desde que saímos do Sobral até à primeira paragem do percurso no Restaurante Ponderosa na Estrada Nacional 1 próximo de Alcoentre.
Como as previsões meteorológicas apontavam para um dia de sol e nada de chuva, havia muito boa gente que foi para o passeio com equipamento de verão. Eu como habitualmente fui preparado para as quatro estações do ano, mas mesmo com a capa de chuva, quando cheguei à Ponderosa estava encharcado de tal forma que tive que tirar as meias (que estavam por baixo de uns "overshoes" supostamente impermeáveis) e escorrê-las para ficar com a sensação que não tinha os pés dentro de uma piscina !!!
Apesar da chuva inclemente, o diferente perfil da malta que participava no passeio já se tinha feito sentir antes da paragem na Ponderosa: apesar de todos os esforços do Paulo Jorge Campos para manter toda a gente junta, o grupo partiu-se em vários grupetos, com os mais profissionais a imporem um ritmo alto para as caracteristicas de alguns dos participantes e para as condições meteorológicas. Alguma malta estava tão embrenhada na coisa que até nem parava quando alguém furava !!!
Eu rapidamente percebi que não estava em dia de Audace "Alpiarça - Alcochete - Alpiarça" pois não consegui acompanhar o pelotão da frente e ia num grupeto que incluia a maioria da malta do NCA.
Depois da paragem na Ponderosa, o Paulo - que nesta altura já parecia mais um Campino a andar de trás para a frente e de um lado para o outro a juntar os "bois tresmalhados" - ainda consegui que a malta fosse junta por uns poucos kms, mas rapidamente voltámos aos grupetos de diferentes velocidades.
Foi neste estado de coisas que fizémos a parte "Paris - Roubaix" do passeio, ou seja, a dúzia de kms entre Alcanede e Alcanena, que para quem não conhece, é basicamente uma estrada de terra batida com alguns pedacinhos de alcatrão a meio da faixa de rodagem !!! Uma estrada alucinante para se fazer de bicicleta de estrada depois de ter chovido: a minha bicicleta - que é branca - ficou cinzenta e com mais um quilo de lama em cima !!! De qualquer forma uma experiência que nos faz dar mais valor aos profissionais que fazem as clássicas da Primavera em "pavée" e com a estrada toda enlameada.
Nesta altura eu já rodava a reboque do Zé Almeida e pelo caminho apanhámos o Edgar (um amigo do Zé) que tinha seguido com o pelotão da frente e que estava parado na estrada a ajudar um companheiro que tinha furado.
Fomos os três em pelotão tão compacto quanto as minhas pernas deixavam - e nesta altura já não deixavam muito - até chegarmos às grandes dificuldades do dia: a subida de Alcanena para Minde e a subida do Covão do Coelho.
Nesta altura eu já tinha estoirado e nem as rodas Dura Ace e nem os "géis" energéticos me safaram: acho que vi um caracol a ultrapassar-me pela direita na subida do Covão do Coelho :-) Das duas uma: ou o maluco do caracol devia ser multado por excesso de velocidade, ou então eu já estava tão cansado que já estava a alucinar :-)
Também por esta altura me apercebi que estava com um furo lento na roda traseira e quando chegámos ao reagrupamento final no fim da subida do Covão do Coelho, estava sem forças até para encher o pneu, e foi o Zé Almeida a safar-me mais uma vez...
Daí até à Cova da Iria eram apenas uma dúzia de quilómetros, mas entre o medo de furar de vez, o vento forte que se fazia sentir, e a falta de forças, pareceram-me cerca de 100 !!!
Passada a rotunda dos "Três Pastorinhos" na Cova da Iria, o passeio terminou no campo do Eirapedrense onde tomámos banho de água quente (um luxo !!!) e almoçámos uma óptima Carne de Porco à Portuguesa !!!
Enfim, como disse no principio, foi uma lição de humildade e uma chamada à realidade depois da "alucinação" que foi o Audace de Alpiarça. Se calhar tenho que contratar o Pedro Maia ou o Vitor Gamito para me treinar e não passar vergonhas no passeio do ano que vem !!!
De qualquer forma, foi mais um objectivo atingido e mais uma fronteira pessoal atravessada e só por isso o passeio valeu a pena. Fica já aqui a promessa de repetir o evento numa outra oportunidade, nem que seja para dar uma lição ao caracol do Covão do Coelho :-)
Esta foi a primeira vez que participei no passeio "Sobral - Fátima", passeio esse dinamizado e organizado pelo Paulo Jorge Campos, um companheiro do NCA de Arruda dos Vinhos. Convém referir que este não é um passeio de cicloturismo organizado, mas sim um passeio "free ride" sem a habitual presença de batedores da PSP ou GNR.
Na partida do Sobral de Monte Agraço às 07:30 éramos cerca de 20 ciclomalucos, e contávamos com o apoio das 2 carrinhas do NCA e de alguns carros de familiares e amigos.
O perfil dos participantes era bastante variado: havia gente que era quase profissional até malta que só dá voltas domingueiras. Da parte do NCA, e para além do "Contador de Arruda" (o Paulo Jorge Campos) e de eu próprio, participaram o Zé Almeida, o S. Amaral, e o Luis Inácio e contámos com o inestimável apoio logistico do Oliveira e do Casimiro, este último uma "desistência" de última hora, visto que se "amedrontou" com a chuva que estava a cair e decidiu ir na carrinha em vez de ir a pedalar :-)
Por falar em chuva, e como tem sido hábito sempre que eu participo nestas coisas, fomos comtemplados com uma monumental carga de água nos primeiros 40 kms desde que saímos do Sobral até à primeira paragem do percurso no Restaurante Ponderosa na Estrada Nacional 1 próximo de Alcoentre.
Como as previsões meteorológicas apontavam para um dia de sol e nada de chuva, havia muito boa gente que foi para o passeio com equipamento de verão. Eu como habitualmente fui preparado para as quatro estações do ano, mas mesmo com a capa de chuva, quando cheguei à Ponderosa estava encharcado de tal forma que tive que tirar as meias (que estavam por baixo de uns "overshoes" supostamente impermeáveis) e escorrê-las para ficar com a sensação que não tinha os pés dentro de uma piscina !!!
Apesar da chuva inclemente, o diferente perfil da malta que participava no passeio já se tinha feito sentir antes da paragem na Ponderosa: apesar de todos os esforços do Paulo Jorge Campos para manter toda a gente junta, o grupo partiu-se em vários grupetos, com os mais profissionais a imporem um ritmo alto para as caracteristicas de alguns dos participantes e para as condições meteorológicas. Alguma malta estava tão embrenhada na coisa que até nem parava quando alguém furava !!!
Eu rapidamente percebi que não estava em dia de Audace "Alpiarça - Alcochete - Alpiarça" pois não consegui acompanhar o pelotão da frente e ia num grupeto que incluia a maioria da malta do NCA.
Depois da paragem na Ponderosa, o Paulo - que nesta altura já parecia mais um Campino a andar de trás para a frente e de um lado para o outro a juntar os "bois tresmalhados" - ainda consegui que a malta fosse junta por uns poucos kms, mas rapidamente voltámos aos grupetos de diferentes velocidades.
Foi neste estado de coisas que fizémos a parte "Paris - Roubaix" do passeio, ou seja, a dúzia de kms entre Alcanede e Alcanena, que para quem não conhece, é basicamente uma estrada de terra batida com alguns pedacinhos de alcatrão a meio da faixa de rodagem !!! Uma estrada alucinante para se fazer de bicicleta de estrada depois de ter chovido: a minha bicicleta - que é branca - ficou cinzenta e com mais um quilo de lama em cima !!! De qualquer forma uma experiência que nos faz dar mais valor aos profissionais que fazem as clássicas da Primavera em "pavée" e com a estrada toda enlameada.
Nesta altura eu já rodava a reboque do Zé Almeida e pelo caminho apanhámos o Edgar (um amigo do Zé) que tinha seguido com o pelotão da frente e que estava parado na estrada a ajudar um companheiro que tinha furado.
Fomos os três em pelotão tão compacto quanto as minhas pernas deixavam - e nesta altura já não deixavam muito - até chegarmos às grandes dificuldades do dia: a subida de Alcanena para Minde e a subida do Covão do Coelho.
Nesta altura eu já tinha estoirado e nem as rodas Dura Ace e nem os "géis" energéticos me safaram: acho que vi um caracol a ultrapassar-me pela direita na subida do Covão do Coelho :-) Das duas uma: ou o maluco do caracol devia ser multado por excesso de velocidade, ou então eu já estava tão cansado que já estava a alucinar :-)
Também por esta altura me apercebi que estava com um furo lento na roda traseira e quando chegámos ao reagrupamento final no fim da subida do Covão do Coelho, estava sem forças até para encher o pneu, e foi o Zé Almeida a safar-me mais uma vez...
Daí até à Cova da Iria eram apenas uma dúzia de quilómetros, mas entre o medo de furar de vez, o vento forte que se fazia sentir, e a falta de forças, pareceram-me cerca de 100 !!!
Passada a rotunda dos "Três Pastorinhos" na Cova da Iria, o passeio terminou no campo do Eirapedrense onde tomámos banho de água quente (um luxo !!!) e almoçámos uma óptima Carne de Porco à Portuguesa !!!
Enfim, como disse no principio, foi uma lição de humildade e uma chamada à realidade depois da "alucinação" que foi o Audace de Alpiarça. Se calhar tenho que contratar o Pedro Maia ou o Vitor Gamito para me treinar e não passar vergonhas no passeio do ano que vem !!!
De qualquer forma, foi mais um objectivo atingido e mais uma fronteira pessoal atravessada e só por isso o passeio valeu a pena. Fica já aqui a promessa de repetir o evento numa outra oportunidade, nem que seja para dar uma lição ao caracol do Covão do Coelho :-)

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