Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, eu tive, quando criança, uma educação católica. Mas apesar dessa educação e sobretudo depois de me ter afastado da religião, as aparições, os segredos, o milagre do sol e tudo o resto que constitui o "cerne" de Fátima, nunca me despertou especial interesse ou curiosidade.
Quando recentemente comecei a vida de CicloMaluco, um dos "desafios" comum a muitos companheiros de paixão ciclistica era - e é - "ir a Fátima", seja de BTT ou com bicicleta de estrada. Adicionamente, deu-se o caso de a minha vida profissional ter colocado Fátima no meu caminho, através de um projeto que a empresa onde trabalho lá está a desenvolver.
Por essas duas razões resolvi fazer uma pesquisa e informar-me sobre Fátima e tudo o que esteve na origem do que hoje conhecemos. A Wikipedia (em vários artigos) descreve o que aconteceu na Cova da Iria da seguinte forma:
"Antes das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917, Lúcia, Francisco e Jacinta tiveram no ano anterior três visões do Anjo, Anjo da Paz ou Anjo de Portugal. As aparições do Anjo em 1916, foram precedidas por três outras visões, de Abril a Outubro de 1915, nas quais Lúcia e outras três pastorinhas, Maria Rosa Matias, Teresa Matias e Maria Justino viram, também no outeiro do Cabeço, e noutros locais, suspensa no ar sobre o arvoredo do vale "uma como que nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana. Era uma figura, como se fosse uma estátua de neve, que os raios do sol tornavam algo transparente".
No dia 13 de Maio de 1917, três crianças, Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos), afirmaram ter visto "...uma senhora mais branca que o Sol" sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, lugar de Aljustrel, pertencente ao conselho de Ourém, Portugal.
Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia.
As aparições repetiram-se nos cinco meses seguintes e seriam portadoras de uma mensagem ao mundo. A 13 de Outubro de 1917 a aparição disse-lhes ser a Nossa Senhora do Rosário."
A 13 de Outubro de 1917 deu-se então o Milagre do Sol: "Milagre do Sol foi um fenómeno testemunhado por cerca de 70 mil pessoas em 13 de outubro de 1917 nos campos de Cova da Iria.
As crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta) haviam relatado em datas anteriores que Nossa Senhora tinha prometido um milagre para o meio-dia de 13 de Outubro, "de modo que todos pudessem acreditar."
De acordo com muitas indicações das testemunhas, por exemplo o avô materno de Fátima Magalhães, entre muitos outros, após uma chuva torrencial, as nuvens desmancharam-se no firmamento e o Sol apareceu como um disco opaco, girando no céu. Algumas afirmaram que não se tratava do Sol, mas de um disco em proporções solares, semelhante à lua. Disse-se ser significativamente menos brilhante do que o normal, acompanhado de luzes multicoloridas, que se reflectiram na paisagem, nas pessoas e nas nuvens circunvizinhas. Foi relatado que o pretenso Sol se teria movido com um padrão de ziguezague, assustando muitos daqueles que o presenciaram, que pensaram ser o fim do mundo. Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas previamente molhadas ficaram completamente secas, num curto intervalo de tempo.
De acordo com relatórios das testemunhas, o Milagre do Sol durou aproximadamente dez minutos. As três crianças, relataram terem observado Jesus, a Virgem Maria, e São José abençoando as pessoas dentro ou junto do Sol. Outras testemunhas afirmaram ter visto vultos de configuração humana dentro do Sol quando este desceu."
Haveria muito que dizer sobre as aparições e sobretudo o Milagre do Sol (não parece a descrição de um avistamento de um Ovni, do tipo que aparece em filmes como os "Encontros Imediatos do Terceiro Grau"?), mas voltando às bicicletas - afinal isto é um blog sobre essa paixão - este ano já tinha feito um "Sobral de Monte Agraço - Fátima", e no final do Verão, aproveitei a proximidade da terra dos meus pais para explorar alguns dos caminhos que "levam a Fátima" (ver "Os dois caminhos para Fátima").
Mas como nunca tinha feito um "Lisboa - Fátima", resolvi aproveitar o feriado do 1 de Novembro e superar esse desafio. O plano inicial era fazer o percurso sozinho, mas como já andava à algum tempo a tentar combinar uma volta com o Hugo "BMC" Pires, tratei de "matar dois coelhos com uma só cajadada" e - como o Hugo também nunca tinha feito a "peregrinação" - resolvemos ir os dois.
Assim sendo, às oito da manhã, estava na "casa da partida": a porta da empresa onde trabalho no Parque das Nações em Lisboa.
Apropriadamente, em frente ao edificio, existe uma escultura de nome "A Viagem":
Apesar de ter feito um Audace no domingo imediatamente anterior - "II Audace do Barreiro: 28 de Outubro de 2012" - ou seja, quatro dias antes, o factor DRAP ("De Repente Apetece-me Pedalar") estava bastante elevado e como tal nem sequer fiz planos detalhados para o caminho que seguiriamos: pelo Covão do Coelho ou por Torres Novas.
O tempo estava meio incerto - ora parecia que ia chover ora parecia um dia de primavera - o que dificultou um pouco a escolha da indumentária: acabei por levar equipamento de Inverno em vez de levar algo mais apropriado para o Outono.
Por volta das oito e picos, lá saímos do Parque das Nações rumo a Santarém. Este primeiro troço da viagem foi feito a bom ritmo - chegámos a Santarém com média de 30 kms/h após cerca de 70 kms - fruto do tal factor DRAP e da vontade de comer uns pampilhos, um doce tradicional do Ribatejo.
Se o caminho de Lisboa a Santarém, tinha sido mais ou menos plano, as maiores dificuldades do percurso apresentavam-se agora pela nossa frente: o caminho entre Santarém e Alcanena, passando por Pernes, tinha pouco de plano e apesar de não ser "montanhoso", era constituido por "topos" suficientes para quebrar as pernas dos ciclistas menos preparados para as andanças das "cabras montesas".
Ao contrário do Hugo, que como o Contador também sobe paredes, eu prefiro as "wide open roads" mais ao estilo da Bélgica e da Holanda, e com 140 kms feitos a "abrir" poucos dias antes no Audace, o resultado foi que dei o estouro lá pelos lados de Pernes.
Com a ajuda preciosa do Hugo lá continuei para a parte final e mais complicada do percurso: a subida para Minde pela N243, seguida da famosa subida do Covão do Coelho.
A primeira subida (4,5 kms com gradiente médio de 3,7%) de Alcanena para Minde faz-se bem, mas os quilómetros acumulados - cerca de 100 - fizeram com que fosse mais dificil do que realmente é, sobretudo porque já vinha com tantas cãibras que não conseguia parar de pedalar: eu bem tentei parar no cimo da subida, mas as ditas cãibras eram tantas que o melhor foi mesmo voltar a montar na bicla e continuar em frente.
O "em frente" chama-se Covão do Coelho e para quem não tem o prazer de conhecer é uma daquelas subidas que cada vez que curvamos, a estrada parece empinar mais e nunca mais terminar. O GPS acusa na realidade duas subidas: uma com 2,2 kms e cerca de 6,4% de gradiente médio, e outra com 1,5 kms e 3,8% de gradiente médio.
Enfim, é daquelas subidas que realmente testam a alma, as pernas e a vontade de qualquer um para andar de bicicleta a sofrer... Mas como já sabia que não podia desmontar da bicla à conta das cãibras, lá ultrapassei o Covão do Coelho e rumei na companhia do Hugo - que tinha seguido à sua velocidade e estava à minha espera no final da subida - rumo à Cova da Iria, para as fotos da praxe no Santuário.
No final fizémos cerca de 130 kms feitos em 5 horas, com um acumulado de 1330 metros.
Em Fátima tinhamos os carros de apoio à nossa espera, e rumámos então à casa dos meus pais, para uma bem merecida almoçarada, que começou com uma Sopa de Peixe que a minha mãe faz como ninguém, continuou com uma boa carne assada no churrasco e terminou com um bom Arroz Doce para repor as energias perdidas. O resultado de tanta comesaima, foi que a minha "lebre" de serviço caiu redonda no sofá e adormeceu .-)
Quando recentemente comecei a vida de CicloMaluco, um dos "desafios" comum a muitos companheiros de paixão ciclistica era - e é - "ir a Fátima", seja de BTT ou com bicicleta de estrada. Adicionamente, deu-se o caso de a minha vida profissional ter colocado Fátima no meu caminho, através de um projeto que a empresa onde trabalho lá está a desenvolver.
Por essas duas razões resolvi fazer uma pesquisa e informar-me sobre Fátima e tudo o que esteve na origem do que hoje conhecemos. A Wikipedia (em vários artigos) descreve o que aconteceu na Cova da Iria da seguinte forma:
"Antes das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917, Lúcia, Francisco e Jacinta tiveram no ano anterior três visões do Anjo, Anjo da Paz ou Anjo de Portugal. As aparições do Anjo em 1916, foram precedidas por três outras visões, de Abril a Outubro de 1915, nas quais Lúcia e outras três pastorinhas, Maria Rosa Matias, Teresa Matias e Maria Justino viram, também no outeiro do Cabeço, e noutros locais, suspensa no ar sobre o arvoredo do vale "uma como que nuvem mais branca que a neve, algo transparente, com forma humana. Era uma figura, como se fosse uma estátua de neve, que os raios do sol tornavam algo transparente".
No dia 13 de Maio de 1917, três crianças, Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos), afirmaram ter visto "...uma senhora mais branca que o Sol" sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, lugar de Aljustrel, pertencente ao conselho de Ourém, Portugal.
Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia.
As aparições repetiram-se nos cinco meses seguintes e seriam portadoras de uma mensagem ao mundo. A 13 de Outubro de 1917 a aparição disse-lhes ser a Nossa Senhora do Rosário."
A 13 de Outubro de 1917 deu-se então o Milagre do Sol: "Milagre do Sol foi um fenómeno testemunhado por cerca de 70 mil pessoas em 13 de outubro de 1917 nos campos de Cova da Iria.
As crianças (Lúcia, Francisco e Jacinta) haviam relatado em datas anteriores que Nossa Senhora tinha prometido um milagre para o meio-dia de 13 de Outubro, "de modo que todos pudessem acreditar."
De acordo com muitas indicações das testemunhas, por exemplo o avô materno de Fátima Magalhães, entre muitos outros, após uma chuva torrencial, as nuvens desmancharam-se no firmamento e o Sol apareceu como um disco opaco, girando no céu. Algumas afirmaram que não se tratava do Sol, mas de um disco em proporções solares, semelhante à lua. Disse-se ser significativamente menos brilhante do que o normal, acompanhado de luzes multicoloridas, que se reflectiram na paisagem, nas pessoas e nas nuvens circunvizinhas. Foi relatado que o pretenso Sol se teria movido com um padrão de ziguezague, assustando muitos daqueles que o presenciaram, que pensaram ser o fim do mundo. Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas previamente molhadas ficaram completamente secas, num curto intervalo de tempo.
De acordo com relatórios das testemunhas, o Milagre do Sol durou aproximadamente dez minutos. As três crianças, relataram terem observado Jesus, a Virgem Maria, e São José abençoando as pessoas dentro ou junto do Sol. Outras testemunhas afirmaram ter visto vultos de configuração humana dentro do Sol quando este desceu."
Haveria muito que dizer sobre as aparições e sobretudo o Milagre do Sol (não parece a descrição de um avistamento de um Ovni, do tipo que aparece em filmes como os "Encontros Imediatos do Terceiro Grau"?), mas voltando às bicicletas - afinal isto é um blog sobre essa paixão - este ano já tinha feito um "Sobral de Monte Agraço - Fátima", e no final do Verão, aproveitei a proximidade da terra dos meus pais para explorar alguns dos caminhos que "levam a Fátima" (ver "Os dois caminhos para Fátima").
Mas como nunca tinha feito um "Lisboa - Fátima", resolvi aproveitar o feriado do 1 de Novembro e superar esse desafio. O plano inicial era fazer o percurso sozinho, mas como já andava à algum tempo a tentar combinar uma volta com o Hugo "BMC" Pires, tratei de "matar dois coelhos com uma só cajadada" e - como o Hugo também nunca tinha feito a "peregrinação" - resolvemos ir os dois.
Assim sendo, às oito da manhã, estava na "casa da partida": a porta da empresa onde trabalho no Parque das Nações em Lisboa.
Apropriadamente, em frente ao edificio, existe uma escultura de nome "A Viagem":
Apesar de ter feito um Audace no domingo imediatamente anterior - "II Audace do Barreiro: 28 de Outubro de 2012" - ou seja, quatro dias antes, o factor DRAP ("De Repente Apetece-me Pedalar") estava bastante elevado e como tal nem sequer fiz planos detalhados para o caminho que seguiriamos: pelo Covão do Coelho ou por Torres Novas.
O tempo estava meio incerto - ora parecia que ia chover ora parecia um dia de primavera - o que dificultou um pouco a escolha da indumentária: acabei por levar equipamento de Inverno em vez de levar algo mais apropriado para o Outono.
Por volta das oito e picos, lá saímos do Parque das Nações rumo a Santarém. Este primeiro troço da viagem foi feito a bom ritmo - chegámos a Santarém com média de 30 kms/h após cerca de 70 kms - fruto do tal factor DRAP e da vontade de comer uns pampilhos, um doce tradicional do Ribatejo.
Se o caminho de Lisboa a Santarém, tinha sido mais ou menos plano, as maiores dificuldades do percurso apresentavam-se agora pela nossa frente: o caminho entre Santarém e Alcanena, passando por Pernes, tinha pouco de plano e apesar de não ser "montanhoso", era constituido por "topos" suficientes para quebrar as pernas dos ciclistas menos preparados para as andanças das "cabras montesas".
Ao contrário do Hugo, que como o Contador também sobe paredes, eu prefiro as "wide open roads" mais ao estilo da Bélgica e da Holanda, e com 140 kms feitos a "abrir" poucos dias antes no Audace, o resultado foi que dei o estouro lá pelos lados de Pernes.
Com a ajuda preciosa do Hugo lá continuei para a parte final e mais complicada do percurso: a subida para Minde pela N243, seguida da famosa subida do Covão do Coelho.
A primeira subida (4,5 kms com gradiente médio de 3,7%) de Alcanena para Minde faz-se bem, mas os quilómetros acumulados - cerca de 100 - fizeram com que fosse mais dificil do que realmente é, sobretudo porque já vinha com tantas cãibras que não conseguia parar de pedalar: eu bem tentei parar no cimo da subida, mas as ditas cãibras eram tantas que o melhor foi mesmo voltar a montar na bicla e continuar em frente.
O "em frente" chama-se Covão do Coelho e para quem não tem o prazer de conhecer é uma daquelas subidas que cada vez que curvamos, a estrada parece empinar mais e nunca mais terminar. O GPS acusa na realidade duas subidas: uma com 2,2 kms e cerca de 6,4% de gradiente médio, e outra com 1,5 kms e 3,8% de gradiente médio.
Enfim, é daquelas subidas que realmente testam a alma, as pernas e a vontade de qualquer um para andar de bicicleta a sofrer... Mas como já sabia que não podia desmontar da bicla à conta das cãibras, lá ultrapassei o Covão do Coelho e rumei na companhia do Hugo - que tinha seguido à sua velocidade e estava à minha espera no final da subida - rumo à Cova da Iria, para as fotos da praxe no Santuário.
No final fizémos cerca de 130 kms feitos em 5 horas, com um acumulado de 1330 metros.
Em Fátima tinhamos os carros de apoio à nossa espera, e rumámos então à casa dos meus pais, para uma bem merecida almoçarada, que começou com uma Sopa de Peixe que a minha mãe faz como ninguém, continuou com uma boa carne assada no churrasco e terminou com um bom Arroz Doce para repor as energias perdidas. O resultado de tanta comesaima, foi que a minha "lebre" de serviço caiu redonda no sofá e adormeceu .-)


Parabéns!!!
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