Este texto era para se chamar "Volta das Bifanas de Vendas Novas - Contra-Relógio Individual", mas como acabei por bater o meu record de quilometragem em cima de uma bicla, acabei por escolher "O dia em que fiz 167 Kms de bicicleta".
Quem lê o meu blog, deve ter reparado que o post mais lido desde que o criei (ver "Top das Visualizações em 2012 até Setembro"), intitula-se "Volta das Bifanas a Benavente", e tem como "personagem principal" uma suposta "bifana de Benavente".
Este facto deixou-me intrigado e até aborrecido por várias razões. Primeiro, a "bifana de Benavente" é na realidade um "prego de Benavente" (porque a carne era de vaca e não de porco como nas bifanas). Segundo o dito post é dos mais simples que eu já publiquei: apenas um pequeno texto e uma foto do famigerado prego promovido a bifana. Ou seja, nada de textos sobre provas de ciclismo tipo "A minha Crónica sobre o Audace "Alpiarça - Alcochete - Alpiarça" de 2012", reflexões de "pseudo-intelectual frustado" tipo "H3, Chocolate e a Vida é Bela", relatos de passeios tipo "Tejo Ciclável 2012", ou textos de interesse público como o "Porque é que os cães ladram aos ciclistas/bicicletas?".
Usando as ferramentas de análise de tráfego do Blogger, cheguei à conclusão que tinha muitos visitantes do blog vindos através da pesquisa no Google por "bifanas" (ou variações do tema).
Ora, num blog supostamente sobre bicicletas e ciclismo, os textos mais pesquisados que o Google lá leva serem "bifanas", "bifana" e "bifanas a portuguesa" deixa-me um bocado surpreendido. Mas enfim, se o povo gosta de bifanas, então leva com bifanas. E foi assim que quase todos os meus textos posteriores a esta descoberta tinham "bifanas" no texto, mesmo que o assunto principal não tivesse muito a ver com tal :-)
Estava a comentar a descoberta acima com um amigo meu e companheiro blogger - o Rui Barradas do blog Reserva Recomendada, e ele - tendo raízes em Vendas Novas - veio logo em defesa das Bifanas de Vendas Novas, "as melhores do país, quiçá do Universo" :-)
A minha primeira experiência com as bifanas de Vendas Novas não tinha sido lá muito satisfactória: no passeio "Lisboa - Arraiolos" organizado pelo Núcleo Cicloturista de Alvalade, parámos numa das muitas casas de bifanas daquela vila. A bifana que lá comi não me deixou lá muito entusiasmado, mas o Rui insistiu que tinha que provar as bifanas do "A Chaminé" e do "Café Boavista".
Uma pesquisa rápida no Google Maps e deu para perceber que desde a minha casa em São João da Talha até Vendas Novas eram cerca de 82,5 kms usando a N10 e a N4. Embora 82,5 * 2 kms já estivesse um pouco fora da minha autonomia (o máximo que tinha feito em cima de uma bicicleta tinham sido 152 kms...), havia a esperança que as bifanas de Vendas Novas me dessem a energia extra para conseguir ir e voltar "são e salvo".
A ideia era combinarmos num domingo em que o Rui visitasse os pais na zona de Vendas Novas, e eu lá ir ter de bicla e provarmos em conjunto as ditas bifanas. Mas afazeres pessoais e profisssionais de um ou do outro não permitiram a realização desses planos. Aproveitando estes dias de outono disfarçados de primavera, resolvi fazer eu o passeio em modo "solo" e tirar as dúvidas sobre as bifanas.
Assim, hoje pelas 8 da matina meti-me a caminho de Vendas Novas. O tempo não estava perfeito pois havia nevoeiro no percurso entre a minha casa e Vila Franca de Xira, continuando para meu desalento, no outro lado do Tejo até quase à zona de Pegões.
Andar na N10 entre São João da Talha e Vila Franca de Xira é sempre perigoso, sobretudo se se rola sozinho: o tráfego continuo de automóveis obriga a uma concentração constante. Mas mais perigoso que a N10 é a famigerada "recta do Cabo", aquele pedaço de estrada entre Vila Franca de Xira e o Porto Alto. Parece que entrámos na "twilight zone" e qualquer automobilista transforma-se num Michael Schumacher na versão 2.0, aquela após a saída da reforma, onde ele teve mais acidentes que vitórias...
Enfim lá cheguei ao Porto Alto, ou como devem dizer por lá "Polto Alto", dada a quantidade de armazéns chineses com nomes como "Lucky Star" que existem por lá. Ultrapassada a China Town portuguesa, entra-se no que deve ser de certeza uma das melhores estradas para andar de bicicleta de Portugal: a N10 entre o Porto Alto, ou mais propriamente entre o "Bar Dançante Europa", e Pegões. Alcatrão perfeito, bermas largas, subidas pouco pronunciadas e curvas para quebrar a monotonia.
O meu plano para conseguir "ir e voltar" era não puxar muito na "ida" e depois então "dar o litro" na volta. Vinha em "cruise control" a rodar entre os 28 e os 30 kms/hora, mas assim que o nevoeiro abriu, o meu "cavalo branco" e a estrada obrigaram-me a rodar acima dos 30 :-)
Estava neste modo, quando encontrei um companheiro ciclista com um furo. Como a bicicleta era de BTT com pneus de estrada, não havia muito em que o pudesse ajudar, por isso após certificar-me que ele não precisava da minha ajuda e que conseguiria safar-se sozinho lá segui caminho.
Até Vendas Novas não houve outros percalços ou eventos dignos de nota, àparte dois grupos de caçadores que estavam a preparar o almoço à beira da estrada, com aparelhagens aos berros a tocar música cigana. Não deu para perceber se eram "caçadores ciganos" - o que daria para estragar as crenças do Francisco Louçã - "ciganos disfarçados de caçadores" ou "caçadores com gosto por música cigana", mas não parei para averiguar :-)
Enfim, cerca de duas horas e cinquenta minutos depois de ter saido de casa, lá cheguei ao "café Snack-Bar A Chaminé" em Vendas Novas.
Apesar de ter pesquisado sobre o assunto ("Bifanas de Vendas Novas - Prólogo"), estava à espera de algo de maior dimensão: até tive que voltar uns metros para trás porque - apesar de ir devagar - quase que não via o dito café...
Arrumada a bicla, sentei-me no meio dos locais numa das (quatro) cadeiras disponiveis fora do estabelecimento. Como a fome era muita pedi então duas bifanas e - enquanto esperava - apreciei a animação na rua e as conversas dos meus colegas de esplanada. Como podem ver pela foto acima tinhamos muito em comum :-)
Comidas as bifanas - a apreciação gastronómica das mesmas fica para o fim deste texto: se conseguiram ler até aqui também aguentam mais uns duzentos parágrafos de banalidades :-) - despedi-me dos meus companheiros de esplanada e pus-me a caminho de volta a casa.
Fiel ao meu plano fiz o caminho de volta até ao Porto Alto um pouco mais rápido do que na ida: se na ida a média tinha sido de 30 kms/h, na volta ela rondou os 32 kms/h. Nada mau para um velhadas de 42 anos a rolar sozinho!
A consequência de toda este esforço foi que "estoirei" no "Polto Alto" e as primeiras cãibras surgiram por volta do quilómetro 137 na "recta do Cabo". Pensando bem, o estoiro foi principalmente das pernas mas também foi psicológico, pois a perspectiva de fazer novamente a recta do Cabo - desta vez com mais trânsito no que na ida - não me agradava especialmente.
A travessia de Vila Franca de Xira decorreu a passo de caracol porque se está a realizar até 15 de Outubro a "Feira de Outubro". Apesar de tudo os Vilafranquenses foram bastante simpáticos e brindaram a minha passagem com foguetes :-)
De Vila Franca até casa foram 25 kms feitos em modo automático, devido ao tal "estoiro" ocorrido no Porto Alto. Mas lá consegui chegar sem parar nenhuma vez, com uma quilometragem total de 167 kms, uma média de 28,4 kms/h e um acumulado de apenas 685 metros.
E então o que é que eu acho das bifanas do "Chaminé"? Antes de responder à pergunta, ressalvo que comi as bifanas sem a também afamada mostarda. Mas deixando de fugir à questão aqui vai a polémica afirmação (que espero faça correr muita tinta na blogosfera :-) ): para mim, o "prego de Benavente" é melhor que as "bifanas de Vendas Novas" !
Mas fica já aqui a promessa de mais uma ida a Vendas Novas, para provar as bifanas do "Café Boavista" desta vez com mostarda, para ver se mantenho a opinião !
Quem lê o meu blog, deve ter reparado que o post mais lido desde que o criei (ver "Top das Visualizações em 2012 até Setembro"), intitula-se "Volta das Bifanas a Benavente", e tem como "personagem principal" uma suposta "bifana de Benavente".
Este facto deixou-me intrigado e até aborrecido por várias razões. Primeiro, a "bifana de Benavente" é na realidade um "prego de Benavente" (porque a carne era de vaca e não de porco como nas bifanas). Segundo o dito post é dos mais simples que eu já publiquei: apenas um pequeno texto e uma foto do famigerado prego promovido a bifana. Ou seja, nada de textos sobre provas de ciclismo tipo "A minha Crónica sobre o Audace "Alpiarça - Alcochete - Alpiarça" de 2012", reflexões de "pseudo-intelectual frustado" tipo "H3, Chocolate e a Vida é Bela", relatos de passeios tipo "Tejo Ciclável 2012", ou textos de interesse público como o "Porque é que os cães ladram aos ciclistas/bicicletas?".
Usando as ferramentas de análise de tráfego do Blogger, cheguei à conclusão que tinha muitos visitantes do blog vindos através da pesquisa no Google por "bifanas" (ou variações do tema).
Ora, num blog supostamente sobre bicicletas e ciclismo, os textos mais pesquisados que o Google lá leva serem "bifanas", "bifana" e "bifanas a portuguesa" deixa-me um bocado surpreendido. Mas enfim, se o povo gosta de bifanas, então leva com bifanas. E foi assim que quase todos os meus textos posteriores a esta descoberta tinham "bifanas" no texto, mesmo que o assunto principal não tivesse muito a ver com tal :-)
Estava a comentar a descoberta acima com um amigo meu e companheiro blogger - o Rui Barradas do blog Reserva Recomendada, e ele - tendo raízes em Vendas Novas - veio logo em defesa das Bifanas de Vendas Novas, "as melhores do país, quiçá do Universo" :-)
A minha primeira experiência com as bifanas de Vendas Novas não tinha sido lá muito satisfactória: no passeio "Lisboa - Arraiolos" organizado pelo Núcleo Cicloturista de Alvalade, parámos numa das muitas casas de bifanas daquela vila. A bifana que lá comi não me deixou lá muito entusiasmado, mas o Rui insistiu que tinha que provar as bifanas do "A Chaminé" e do "Café Boavista".
Uma pesquisa rápida no Google Maps e deu para perceber que desde a minha casa em São João da Talha até Vendas Novas eram cerca de 82,5 kms usando a N10 e a N4. Embora 82,5 * 2 kms já estivesse um pouco fora da minha autonomia (o máximo que tinha feito em cima de uma bicicleta tinham sido 152 kms...), havia a esperança que as bifanas de Vendas Novas me dessem a energia extra para conseguir ir e voltar "são e salvo".
A ideia era combinarmos num domingo em que o Rui visitasse os pais na zona de Vendas Novas, e eu lá ir ter de bicla e provarmos em conjunto as ditas bifanas. Mas afazeres pessoais e profisssionais de um ou do outro não permitiram a realização desses planos. Aproveitando estes dias de outono disfarçados de primavera, resolvi fazer eu o passeio em modo "solo" e tirar as dúvidas sobre as bifanas.
Assim, hoje pelas 8 da matina meti-me a caminho de Vendas Novas. O tempo não estava perfeito pois havia nevoeiro no percurso entre a minha casa e Vila Franca de Xira, continuando para meu desalento, no outro lado do Tejo até quase à zona de Pegões.
Andar na N10 entre São João da Talha e Vila Franca de Xira é sempre perigoso, sobretudo se se rola sozinho: o tráfego continuo de automóveis obriga a uma concentração constante. Mas mais perigoso que a N10 é a famigerada "recta do Cabo", aquele pedaço de estrada entre Vila Franca de Xira e o Porto Alto. Parece que entrámos na "twilight zone" e qualquer automobilista transforma-se num Michael Schumacher na versão 2.0, aquela após a saída da reforma, onde ele teve mais acidentes que vitórias...
Enfim lá cheguei ao Porto Alto, ou como devem dizer por lá "Polto Alto", dada a quantidade de armazéns chineses com nomes como "Lucky Star" que existem por lá. Ultrapassada a China Town portuguesa, entra-se no que deve ser de certeza uma das melhores estradas para andar de bicicleta de Portugal: a N10 entre o Porto Alto, ou mais propriamente entre o "Bar Dançante Europa", e Pegões. Alcatrão perfeito, bermas largas, subidas pouco pronunciadas e curvas para quebrar a monotonia.
O meu plano para conseguir "ir e voltar" era não puxar muito na "ida" e depois então "dar o litro" na volta. Vinha em "cruise control" a rodar entre os 28 e os 30 kms/hora, mas assim que o nevoeiro abriu, o meu "cavalo branco" e a estrada obrigaram-me a rodar acima dos 30 :-)
Estava neste modo, quando encontrei um companheiro ciclista com um furo. Como a bicicleta era de BTT com pneus de estrada, não havia muito em que o pudesse ajudar, por isso após certificar-me que ele não precisava da minha ajuda e que conseguiria safar-se sozinho lá segui caminho.
Até Vendas Novas não houve outros percalços ou eventos dignos de nota, àparte dois grupos de caçadores que estavam a preparar o almoço à beira da estrada, com aparelhagens aos berros a tocar música cigana. Não deu para perceber se eram "caçadores ciganos" - o que daria para estragar as crenças do Francisco Louçã - "ciganos disfarçados de caçadores" ou "caçadores com gosto por música cigana", mas não parei para averiguar :-)
Enfim, cerca de duas horas e cinquenta minutos depois de ter saido de casa, lá cheguei ao "café Snack-Bar A Chaminé" em Vendas Novas.
Apesar de ter pesquisado sobre o assunto ("Bifanas de Vendas Novas - Prólogo"), estava à espera de algo de maior dimensão: até tive que voltar uns metros para trás porque - apesar de ir devagar - quase que não via o dito café...
Arrumada a bicla, sentei-me no meio dos locais numa das (quatro) cadeiras disponiveis fora do estabelecimento. Como a fome era muita pedi então duas bifanas e - enquanto esperava - apreciei a animação na rua e as conversas dos meus colegas de esplanada. Como podem ver pela foto acima tinhamos muito em comum :-)
Comidas as bifanas - a apreciação gastronómica das mesmas fica para o fim deste texto: se conseguiram ler até aqui também aguentam mais uns duzentos parágrafos de banalidades :-) - despedi-me dos meus companheiros de esplanada e pus-me a caminho de volta a casa.
Fiel ao meu plano fiz o caminho de volta até ao Porto Alto um pouco mais rápido do que na ida: se na ida a média tinha sido de 30 kms/h, na volta ela rondou os 32 kms/h. Nada mau para um velhadas de 42 anos a rolar sozinho!
A consequência de toda este esforço foi que "estoirei" no "Polto Alto" e as primeiras cãibras surgiram por volta do quilómetro 137 na "recta do Cabo". Pensando bem, o estoiro foi principalmente das pernas mas também foi psicológico, pois a perspectiva de fazer novamente a recta do Cabo - desta vez com mais trânsito no que na ida - não me agradava especialmente.
A travessia de Vila Franca de Xira decorreu a passo de caracol porque se está a realizar até 15 de Outubro a "Feira de Outubro". Apesar de tudo os Vilafranquenses foram bastante simpáticos e brindaram a minha passagem com foguetes :-)
De Vila Franca até casa foram 25 kms feitos em modo automático, devido ao tal "estoiro" ocorrido no Porto Alto. Mas lá consegui chegar sem parar nenhuma vez, com uma quilometragem total de 167 kms, uma média de 28,4 kms/h e um acumulado de apenas 685 metros.
E então o que é que eu acho das bifanas do "Chaminé"? Antes de responder à pergunta, ressalvo que comi as bifanas sem a também afamada mostarda. Mas deixando de fugir à questão aqui vai a polémica afirmação (que espero faça correr muita tinta na blogosfera :-) ): para mim, o "prego de Benavente" é melhor que as "bifanas de Vendas Novas" !
Mas fica já aqui a promessa de mais uma ida a Vendas Novas, para provar as bifanas do "Café Boavista" desta vez com mostarda, para ver se mantenho a opinião !
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